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Condenado pela Operação Lava-Jato, o ex-ministro José Dirceu defendeu que o papel principal do PT neste momento é de libertar o ex-presidente Lula e reelegê-lo

"Nós temos uma contradição. Nós ganhamos as eleições, mas não temos base popular para defender o governo", disse. (Foto: Reprodução)

Em uma rara aparição pública, feita em um salão apertado em Brasília, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu defendeu na noite de segunda-feira (16) que a militância petista seja implacável, não deixando o governo federal funcionar.

Em um discurso a cerca de cem militantes, em um cenário modesto comparado ao da época que era homem forte do Palácio do Planalto, ele pregou que todo lugar deve ser uma trincheira e que o papel principal do partido neste momento é de libertar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e reelegê-lo.

“Nós temos de lutar, levantar a cabeça, enfrentá-los. Eles têm de ter certeza de que vamos ressurgir das cinzas. Nós temos de aprender a lutar em todas as frentes e temos de ser implacáveis com eles. Eles não nos deixaram governar. E por que vamos deixar eles governarem?”, questionou.

Condenado pela Operação Lava-Jato, o petista participou de plenária no Sindicato dos Servidores Públicos do Distrito Federal. Ele disse que o momento não é mais de só resistir e criticou o juiz federal Sérgio Moro. Na opinião dele, o magistrado é um instrumento de um “aparato de perseguição política” no País. “Eles estão transformando o processo eleitoral em um simulacro. Ao banir o Lula das eleições deste ano, evidentemente que a eleição passa a ser um simulacro”, criticou.

Em uma espécie de auto-crítica, reconheceu que o seu partido falhou, que cometeu erros e que, agora, é o momento dele formar uma frente de luta e “ir ao encontro do povo”. “Nós temos uma contradição. Nós ganhamos as eleições, mas não temos base popular para defender o governo”, disse. “Nós cometemos erros. A solidariedade e o apoio da militância é porque ela é generosa”, acrescentou.

Com o risco de ser preso, o petista disse que hoje está preocupado com a situação do ex-presidente petista, não com a dele, e que pretende em junho lançar seu livro de memórias. Em maio, Dirceu conseguiu o direito de aguardar recurso em liberdade. Em 2016, ele foi condenado pelos crimes de lavagem de dinheiro, corrupção passiva e organização criminosa. A pena dele chega a 30 anos e 9 meses de prisão.

Invasão 

Em discurso, feito antes de Dirceu, o coordenador do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra), João Pedro Stedile, defendeu invasões de terra como forma de pressionar pela liberação de Lula. “Nós vamos ocupar nesta semana terras, porque queremos o Lula livre”, disse.

Ele chamou o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Edson Fachin de “traidor” e defendeu que a militância envie cartas às ministras Rosa Weber e Cármen Lúcia. “Fachin traiu o povo brasileiro. Se mude para Miami”, afirmou.

Segundo ele, o MST não apoiará qualquer outro candidato do PT que não seja Lula e é necessário que a militância petista parta para a ofensiva. Na avaliação dele, a Rede Globo é a grande inimiga dos movimentos de esquerda. “Não pode deixar a Rede Globo em paz: joguem ovos ou joguem o que tiverem. A Globo é a nossa inimiga”, defendeu.

Internacional 

Lula foi preso há nove dias pelas acusações de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no processo do triplex do Guarujá. Antes da chegada de Dirceu à plenária, uma das organizadoras pediu à militância petista que não fizesse transmissões ao vivo do encontro, a pedido de Dirceu.

Sob gritos de “guerreiro do povo brasileiro”, Dirceu entrou no salão de camiseta vermelha e com o punho direito levantado, gesto que representa resistência. No início do evento, um grupo ligado ao MST cantou a “Internacional Socialista”, sendo acompanhado pela militância petista. Nos discursos, Dirceu foi chamado de “comandante”, “líder” e “amigo”. Os ex-ministros petistas Gilberto Carvalho e Tereza Campello também participaram da plenária em Brasília.

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