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Conheça a trajetória do médium “João de Deus”, acusado de abuso sexual por 12 mulheres

O "guru" tem 11 filhos, cada um com uma mulher diferente. (Foto: Reprodução/Twitter)

Em sua atuação como médium, João Teixeira de Faria, o “João de Deus”, acumula seguidores, muitos deles políticos e celebridades nacionais e estrangeiros, mas também polêmicas. Apadrinhado por Chico Xavier (1910-2002), ele mantém o hospital espiritual Casa de Dom Inácio na pequena cidade de Abadiânia (GO) desde 1976. Antes de fundar a entidade, João peregrinava pelo País fazendo “cirurgias espirituais”.

Em um imagem digitalizada entregue pelo próprio médium ao jornal “O Globo”, é possível ler a mensagem que teria sido escrita e assinada por Chico Xavier em 1993: “Prezado João, caro amigo, Abadiânia é o abençoado recinto de sua iluminada missão e de sua paz”. Junto ao bilhete, o médium também entregou uma foto na qual um João muito mais jovem recebe uma bênção do mentor.

O motivo da correspondência era o fato de terem começado a surgir complicações em torno da atuação do médium, naquele ano: João foi alvo de denúncias de exercício ilegal da medicina e, pouco tempo depois, acusado de sedução de uma menor de idade, crime pelo qual foi absolvido por falta de provas. O médium também sofreu acusações de pudor, contrabando de minério e até assassinato, mas não foi condenado nesses casos.

Nascido no vilarejo de Cachoeira da Fumaça (GO), João diz ter despertado para sua mediunidade aos 9 anos. É o mais novo de seis filhos, de pai alfaiate e mãe dona de casa. Frequentou a escola apenas até o equivalente ao segundo ano do ensino fundamental, e diz não saber ler nem escrever. Trabalhou como alfaiate, minerador e ceramista. Ele vive em Anápolis, a 40 quilômetros de Abadiânia.

O “guru” tem 11 filhos, cada um com uma mulher diferente. Nenhum deles trabalha na Casa. Alguns são evangélicos – João afirma que há um respeito mútuo pelas diferenças religiosas na família. Também diz que não espera ter um substituto na liderança do hospital espiritual.

Braço-direito

Na Casa Dom Inácio de Loyola, fundada há 42 anos, quem não sai do seu lado é Chico Lobo, que já foi vice-prefeito de Abadiânia. Gerente-geral da instituição, é comumente visto andando pelo terreno usando roupas sociais brancas, um anel que dá três voltas em seu dedo anular esquerdo, três pulseiras no braço direito, um relógio no pulso esquerdo, e um largo anel na mão direita que traz a imagem de São Jorge. Tudo dourado.

Chico é o ponto de referência para os frequentadores, funcionários e voluntários. É para a sua sala, logo na entrada da Casa, que vão os guias, os recém-chegados, as pessoas com dúvidas sobre o tratamento e até aqueles atrasados que não conseguiram pegar uma ficha de atendimento. Também é dono de vendas posicionadas ao longo da rua que conecta o hospital espiritual à estrada que corta a cidade. Seu principal empreendimento é a loja de roupas brancas mais próxima da casa ecumênica.

Antes dele, porém, o grande assessor e amigo pessoal de João era Hamilton Pereira, atual diretor financeiro da casa. Ele era prefeito de Abadiânia quando o médium resolveu construir ali seu hospital, na década de 1970, e ajudou nos primeiros passos do estabelecimento.

Hoje ele fica responsável pela livraria, onde são vendidas todas as lembranças oficiais da Casa. Convidado para uma entrevista, ao telefone, ele se desculpou e explicou que deixaria o contato com a imprensa para Chico e Edna Gomes, a assessora, “para evitar atritos” com o patrão e amigo.

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