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Conheça o brasileiro que trabalha nas missões espaciais americanas até Marte

Ivair Gontijo palestrou na Campus Party nesta semana. (Foto: Divulgação/IFSC/USP)

Ivair Gontijo, líder de uma das equipes que ajudaram na aterrissagem do robô Curiosity em Marte, é brasileiro de Moema (MG), cidade com cerca de 7,4 mil habitantes. Em palestra de abertura na Campus Party na noite de terça-feira (12), ele contou uma parte do longo caminho até o topo da carreira no JPL (Jet Propulsion Laboratoty), laboratório da Nasa, a agência espacial americana.

“O processo de entrar na Nasa, com certeza, é complexo. É a mesma coisa em qualquer país. Por que eles vão dar emprego pra um estrangeiro, se tem mil americanos querendo o mesmo emprego?”, comparou o físico.

“Eu bati na porta da Nasa várias vezes. Não foi da primeira vez. Nem da segunda. Foram muitas vezes. E eu não aceito um ‘não’ facilmente. É isso, a gente tem que continuar insistindo”, disse o físico.”

Gontijo estudou em escolas públicas no interior de Minas Gerais até os 18 anos. Chegou a fazer um curso técnico em agropecuária e trabalhou na região da nascente do Rio São Francisco. Então, decidiu estudar física e se mudar para Belo Horizonte — ele fez faculdade na UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).

“Trabalhar em uma fazenda aguça primeiro a curiosidade da gente, vendo aquela noite tão escura, aquele céu espetacular – e [surge] a vontade de criar uma carreira científica. Então, eu trabalhei na fazenda por três anos economizando dinheiro para ir para Belo Horizonte estudar.”

Antes de se mudar para Los Angeles, em 1998, Gontijo fez mestrado ainda no Brasil e doutorado em Glasgow, na Escócia.

Há dez anos, ele ajudou a construir os transmissores e receptores do radar usado na descida do robô Curiosity em Marte. A missão triunfou desde 2012: encontrou moléculas orgânicas, desvendou detalhes sobre as estações climáticas marcianas e detalhou as variações de temperatura do planeta — faz -90ºC nas noites de inverno e 0ºC nas noites de verão.

Para o físico brasileiro, a colonização fora da Terra envolve outras questões além do frio:

“É possível e é distante. Ainda temos desafios gigantescos. Até para produzir oxigênio durante uma viagem tripulada para Marte. Produzir comida. O espaço muito pequeno, confinado. A viagem demora 8 meses e meio, quase 9 meses. Tudo isso é muito complexo, muito difícil, mas são problemas de engenharia, e com certeza os humanos têm a capacidade para resolver”.

Marte 2020

Agora, o desafio é participar na construção dos instrumentos da missão “Mars 2020”. A Nasa vai enviar uma pequena aeronave autônoma de asas rotativas para explorar a atmosfera de Marte. O chamado “Mars Helicopter” deve ser embarcado junto do robô Mars 2020.

“O novo veículo [da missão Mars 2020] tem três instrumentos que são uma colaboração internacional. Eu sou o engenheiro responsável por todas as interfaces, uma parte feita na França, uma parte no Novo México, e outra na Espanha”, explicou Gontijo. “Eu represento esses três grupos, quando estou conversando com os colegas que estão projetando e construindo o veículo.”

Anunciado em 2012, o projeto Mars 2020 foi desenvolvido com base nas descobertas do robô Curiosity. A missão é um passo para enviar humanos na década de 2030.

“Eu acho que o pior para a colonização é a ausência de atmosfera, em comparação com a Terra. A atmosfera lá é praticamente só CO2, 95%. E a pressão atmosférica é menos de 1% da pressão atmosférica na Terra”, disse Gontijo.

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