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Conheça o segredo dos japoneses casados há 80 anos: a paciência da mulher

O casal, na foto com a família, entrou para o Guinness World Records. (Foto: Reprodução)

O Japão é conhecido pela abundância de centenários e agora pode se gabar de ter o casal casado há mais tempo no mundo, cujas idades combinadas somam 208 anos. Casados há 80 anos, o segredo do sucesso é a paciência da mulher, afirma a própria.

Segundo o Guinness World Records, Masao Matsumoto, 108, e Miyako, 100, estão casados desde outubro de 1937.

“Estou tão feliz. É tudo graças à minha paciência, realmente”, disse Miyako, com uma risada, posando com o marido e outros membros da família diante do certificado, na residência para idosos onde o casal vive hoje. “Estou tão agradecida que chego às lágrimas”, afirmou.

Os Matsumotos nunca chegaram a ter uma cerimônia de casamento, pois o Japão entrava em guerra e Masao foi enviado para fora do país como soldado.

“Eles estão entrando no último capítulo de suas vidas. É uma honra para eles receber esse certificado. Adoraria que eles pudessem continuar vivendo uma vida pacífica”, disse uma das filhas do casal, Hiromi.

No mês passado, a família celebrou a chegada do 25º bisneto. O Japão tem uma das maiores expectativas de vida no mundo – 84 anos, segundo o Ministério da Saúde.

O recorde de casal casado há mais tempo por idade agregada ainda pertence ao casal Karl e Gurdren Dolven, da Noruega, com 210 anos.

Japão se prepara para nova era

Em muitos documentos oficiais japoneses, não estamos em 2018, mas no ano 30 da era Heisei, o trigésimo ano do reinado do imperador Akihito. Com sua abdicação no final de abril de 2019, o arquipélago se prepara para uma mudança radical.

Geralmente, o nome da nova era é anunciado apenas alguns dias após a morte do imperador, um evento em essência imprevisível. Em 7 de janeiro de 1989, quando Hirohito morreu, o Japão estava no 64º ano da era Showa (1926-1989), que se tornou a noite do ano inaugural da era Heisei, que deu início ao reinado de Akihito.

Desta vez, os fabricantes de calendário estão com sorte. Uma vez que uma lei de exceção autoriza o 125º Imperador do Japão, Akihito, 84, a passar a coroa ainda em vida, tudo tem sido planejado com antecedência e o nome da nova era deve ser anunciado antes de 1º de maio, quando seu filho mais velho, Naruhito, subirá ao trono de Crisântemo.

Será muito tarde para que o nome da nova era apareça nos calendários de 2019, que deve figurar nas publicações de 2020, segundo espera Kunio Kowaguchi, presidente da empresa Todan, que fabrica a cada ano 10 milhões de calendários no Japão.

Setores da administração pública, escolas e hospitais que utilizam documentos que mencionam a era, juntamente com o calendário gregoriano, também terão tempo para se organizar.

A prática da utilização das “eras (“gengo”, em japonês) tem suas origens na China antiga, mas continua em vigor no Japão, segundo historiadores. O país conheceu quase 250 eras, muito mais do que o número de imperadores, porque era costume mudar os nomes para marcar um novo começo após desastres naturais ou outros eventos importantes.

A escolha do nome das eras é feita de acordo com um processo rigoroso que não depende da Casa Imperial, mas do governo.

O termo selecionado deve ser novo, refletindo os ideais da nação. “Heisei” significa, por exemplo, “cumprimento da paz”, e obedece a algumas regras: deve ser composto de dois ideogramas, ser fácil de escrever e ler, além de evitar nomes comuns de pessoas, empresas ou lugares.

E, provavelmente, o nome da nova era não começará com as letras M, T, S e H, já que estas já aparecem em muitas eras do Japão moderno (desde 1868), como Meiji, Taisho, Showa e Heisei.

Os japoneses se divertem fazendo previsões numa atmosfera que contrasta com o clima sério dos últimos meses da era Showa, quando o ex-imperador Hirohito lutou contra a morte, diz Junzo Matoba, um alto funcionário que trabalhou em silêncio durante as pesquisas para a designação da nova era.

“Alguns achavam que era falta de respeito preparar a próxima era enquanto o atual imperador ainda estava vivo”, diz o octogenário Matoba. “Eu tive que trabalhar em segredo”, conta.

Ele se lembra de consultas delicadas com os especialistas, com o ego às vezes excessivo —eles acreditavam que eram o “Monte Fuji”, diverte-se o funcionário.

“Eu me senti preso em uma tarefa tão difícil, com uma espada de Dâmocles sobre a minha cabeça”, disse, numa referência ao antigo mito grego, uma metáfora do perigo que se corre quando se relaciona com o poder.