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Contra conselhos de seus auxiliares, o presidente Michel Temer deu a chefia de um ministério a um general do Exército que ocupava o cargo interinamente

"A Constituição é a Bíblia dos militares", assegurou Silva e Luna. (Foto: Marcos Corrêa/PR)

O presidente Michel Temer não seguiu recomendação de assessores e auxiliares e efetivou para o comando do Ministério da Defesa o general do Exército Joaquim Silva e Luna. Com a decisão, é a primeira vez desde que a pasta foi criada no governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), em 1999, que um militar ocupa o posto.

Os governos FHC, Lula e Dilma escolheram nomes do direito, da diplomacia ou da política para o cargo.

Temer iniciou seu governo com Raul Jungmann na função, mas o político foi chefiar a pasta da Segurança Pública.

Desde fevereiro, Silva e Luna desempenhava a função de maneira interina, já que a intenção do presidente era encontrar um civil para o cargo. Com dificuldades de achar um nome, contudo, ele optou por uma solução caseira.

Em fevereiro, o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, chegou a afirmar que a pasta é “típica de um civil”. Em evento na mesma época, FHC disse que colocar um civil à frente da estrutura era, no passado, símbolo de qual poder prevalece no País.

Cabe à Defesa tratar das relações entre as Forças Armadas e as outras instituições estatais, além de definir políticas de defesa e de segurança nacional.

Nos últimos meses, o presidente foi aconselhado a escolher um nome civil que não passasse a ideia de fortalecimento dos militares em seu mandato e que não causasse constrangimento à Marinha e à Aeronáutica por ter optado por alguém do Exército.

Desde o início de seu mandato, Temer tem dado aos militares o controle de áreas sensíveis de seu governo. De forma inédita na redemocratização, eles exercem cargos em áreas como a Fundação Nacional do Índio e a Abin (Agência Brasileira de Inteligência), na Casa Civil, entre outras áreas.

Destacam-se na aproximação do presidente com as Forças Armadas a intervenção federal do Rio e a influência e a visibilidade de generais como Sérgio Etchegoyen, chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência, e Eduardo Villas Bôas, comandante do Exército.

Os militares, além disso, deflagraram operações do tipo “garantia da lei e da ordem” em quatro estados e varredura em 34 presídios estaduais no governo Temer. Em maio de 2017, foram chamados para dar segurança à Esplanada quando manifestantes destruíram setores de ministérios durante protesto.

A afinidade de Temer com as Forças Armadas é antiga. Como vice- presidente, ele foi escalado para coordenar o plano nacional de fronteiras, o que o aproximou dos militares. Durante o impeachment de Dilma Rousseff, o emedebista rebebeu manifestações reservadas de apoio de generais de alta patente e, desde que assumiu o Palácio do Planalto, faz questão de comparecera eventos militares.

 

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