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Contratar seguro para celulares e eletrodomésticos exige atenção: O cliente deve avaliar se o custo vale a pena e verificar a cobertura oferecida

Em tempo de mensagens de voz e redes sociais, fazer ligações telefônicas é quase uma raridade hoje em dia. (Foto: Reprodução)

Natal se aproximando, 13º salário no bolso: é uma boa hora para comprar uma geladeira nova, trocar a TV por um modelo mais moderno ou adquirir o último lançamento em matéria de celular. Na hora da compra, os vendedores costumam oferecer a garantia estendida ou um seguro para o produto. O que fazer: contratar ou não o serviço? Especialistas aconselham fazer a conta de quanto isso vai custar e avaliar com atenção a cobertura oferecida. As informações são do jornal O Globo.

Como o próprio nome diz, o seguro de garantia estendida tem por finalidade prorrogar o prazo de proteção do item adquirido, além da garantia de fábrica, que, por lei, é de pelo menos 90 dias. Mas a promessa de não ter dor de cabeça com o conserto precisa ser analisada com cuidado, para que o comprador não caia em armadilhas, alerta o Procon-SP. É imprescindível ler com atenção todas as cláusulas do contrato e se informar sobre a cobertura oferecida. E mais: a venda desse tipo de seguro não pode ser atrelada a descontos nem ser embutida no valor da compra.

Marco Antonio Garutti, presidente da Comissão de Seguros de Garantia Estendida e Afinidades da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), esclarece que o preço do seguro de garantia estendida de 12 meses, por exemplo, varia conforme o tipo de produto. Em mais de 80% dos casos, custa entre 8% e 15% do valor do bem. Para muitos consumidores, diz Garutti, essa proteção é também o primeiro contato com um seguro. Ele lembra que um reparo custa, em média, 40% do valor do produto.

“O consumidor sabe o custo de ter que reparar um bem durável após o período de garantia. Muitas vezes, compensa comprar um novo. A garantia estendida pode representar uma economia no futuro”, diz.

Garutti dá o exemplo de um consumidor que comprou uma TV LED, 40 polegadas, em 18 parcelas de R$ 120. Se houvesse adquirido o seguro estendido por mais 12 meses, teria desembolsado 18 parcelas em torno de R$ 134. Antes de acabar de pagar as parcelas, um dos sensores da TV queimou. Na assistência técnica, foi cobrado um valor para avaliar o defeito e mais R$ 600 pelo reparo.

“Esse valor do reparo acaba pesando no orçamento. Se ele tivesse contratado a garanta estendida, sua televisão seria consertada quantas vezes fossem necessárias, durante os 12 meses adicionais, ou até receberia um aparelho novo. É uma proteção financeira”, defende o diretor da FenSeg.

O economista e professor da Fundação Getulio Vargas Luis Carlos Ewald, no entanto, afirma que é difícil avaliar a relação entre custo e benefício nesses casos. Ele diz que é preciso colocar na ponta do lápis se o gasto valerá realmente a pena, ou se é mais vantajoso pegar o dinheiro e colocar numa poupança, por exemplo.

No caso do celular, diante do aumento dos roubos e furtos, quem precisa usar muito o aparelho, principalmente na rua, a trabalho, deve, sim, fazer o seguro, diz Ewald. Ele vê o serviço como alternativa vantajosa também para o consumidor de mais baixa renda, que poderia ter dificuldade em comprar um produto novo e, por isso, prefere pagar pequenas parcelas para ter uma garantia estendida.

Cobertura

Embora o seguro para celulares e smartphones costume ser mais caro, podendo custar de 15% a 30% do valor do produto, estes aparelhos registram o maior volume de contratações, inclusive de garantia estendida, afirma Garutti. No entanto, acrescenta, na proporção de venda de aparelhos, o seguro mais adquirido para é o de roubos e danos:

“Os maiores índices de seguros estão em produtos de informática, linha marrom (TVs, aparelhos de blu-ray), linha banca (geladeiras, máquinas de lavar), móveis, estofados e colchões, além de produtos eletrônicos portáteis de baixo valor”, afirma Garutti.

Antes de se mudar de Campinas, em São Paulo, para Niterói, onde vai cursar Ciências Sociais na Universidade Federal Fluminense, a estudante Bárbara Fernandes contratou, em 2014, um seguro para seu iPhone 5S, na época o modelo mais caro.

“Nunca perdi um celular em um assalto, mas fiz o seguro por precaução. Não sabia como era a segurança da área onde iria morar e nos arredores da faculdade”, conta Bárbara, que optou por um serviço terceirizado da Claro, que custou cerca de 25% do valor total do aparelho.

As operadoras e seguradoras oferecem diferentes modalidades de seguros para celulares e tablets, mas a cobertura não é total. Furto simples, aquele em que não há uso da violência ou quando a pessoa nem percebe a subtração do aparelho, normalmente não está coberto.

O conselho dos especialistas é ler atentamente as cláusulas, que apontam as obrigações dos segurados e os limites de cobertura, antes de assinar o contrato. “As apólices também não costumam cobrir perda do celular, nem danos decorrentes do mau uso ou desgaste do aparelho. Por isso é tão importante ler o contrato com lupa, para saber os riscos cobertos e os excluídos”, alerta José Varanda, da Escola Nacional de Seguros.