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CPI da Petrobras vem acumulando fracassos nas oitivas dos empreiteiros envolvidos no escândalo de corrupção

Colegiado que investiga a estatal do petróleo teve os trabalhos prorrogados por mais 60 dias pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha. (Foto: Alex Ferreira/Agência Câmara)

A reboque das investigações na Justiça Federal, a CPI da Petrobras vem acumulando uma sucessão de fracassos nas oitivas dos empreiteiros envolvidos no escândalo de corrupção na estatal. Dos 12 executivos convocados nos últimos dias, só dois se propuseram a colaborar, mas se limitaram a repetir o que já haviam contado aos investigadores da Operação Lava-Jato.

Na quinta-feira, foi a vez de José Ricardo Nogueira Breghirolli, ex-superintendente administrativo da Construtora OAS, e Mateus Coutinho de Sá Oliveira, ex-diretor Financeiro da empresa, usarem o direito de ficar em silêncio. Breghirolli e Coutinho, que também se calaram diante do juiz federal Sérgio Moro, estariam envolvidos diretamente com o pagamento de propina.

Dos empreiteiros e empresários convocados até agora, só Eduardo Hermelino Leite e Dalton Avancini, ambos da Camargo Corrêa e delatores do esquema, responderam às perguntas dos deputados. O ex-presidente do Conselho de Administração da Camargo Corrêa João Ricardo Auler e o ex-presidente da OAS José Aldemário Pinheiro Filho, o Léo Pinheiro, compareceram à CPI, ficaram em silêncio e foram dispensados.

Semana improdutiva
Tratamento diferente receberam os empresários do Grupo Schahin: Carlos Eduardo Schahin, Rubens Roufic Schahin, Pedro Henrique Schahin e Milton Roufic Schahin. Eles foram os únicos que, mesmo em silêncio, não foram dispensados de imediato. Irritados com o fato de a família Schahin ter recorrido a habeas corpus preventivo no Supremo Tribunal Federal para não falar na CPI, os deputados submeteram, mesmo assim, as testemunhas ao interrogatório.

“Foi uma semana muito improdutiva”, reconheceu o deputado Delegado Waldir Soares de Oliveira (PSDB-GO).
Os parlamentares esperavam que, fora do cárcere e cumprindo prisão domiciliar, os empreiteiros que não assinaram acordo de delação pudessem revelar o que nem sequer contaram à Justiça Federal. Por isso, fecharam a agenda de depoimentos desde 20 de maio para os executivos. “Tínhamos expectativa de que eles pudessem contribuir. Muitos não estão contribuindo, para nossa infelicidade. Mas a CPI não pode parar, temos de seguir nossa vida, nosso foco de investigação”, disse o presidente da comissão, Hugo Motta (PMDB-PB).

A rodada dos empreiteiros termina na próxima semana com as oitivas de Sérgio Cunha Mendes (da Mendes Júnior) e Dario Queiroz Galvão Filho (do Grupo Galvão). Nenhum deles fez delação premiada, por isso, também não são obrigados a colaborar com os deputados.

A CPI, que teve prazo de funcionamento estendido por 60 dias, partirá para uma nova fase. Para dar fôlego aos trabalhos, serão apreciados no dia 11 de junho mais de cem requerimentos, incluindo novas convocações, acareações, visitas a estaleiros, quebra de sigilo sobre os negócios da família Schahin e audiências para aprofundar o foco das investigações sobre as brechas do sistema financeiro que permitem crimes de evasão de divisas e lavagem de dinheiro.

Políticos, no entanto, devem continuar de fora da programação de oitivas. Na quinta-feira, foi anunciada a extensão do contrato com a empresa Kroll para rastrear investigados com contas no exterior. A Câmara dos Deputados já pagou 1,1 milhão de reais pelo contrato, cujas cláusulas são sigilosas.

Trabalhos prorrogados
O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), prorrogou por mais 60 dias o funcionamento da CPI da Petrobras. O prazo regimental de 120 dias da comissão se encerrava em junho.

A CPI, criada em 5 de fevereiro, foi a primeira comissão de investigação formada na gestão do peemedebista. Há pelo menos um mês o presidente vem afirmando que estenderia os trabalhos desta comissão. “A gente prorrogou a da Petrobras, mas as outras já têm acordo político. Não vamos prorrogar, vamos seguir adiante”, disse Cunha.

Além da Petrobras, estão em funcionamento a CPI das Órteses e Próteses, do Sistema Carcerário e da Violência contra Jovens Negros e Pobres. Como só a CPI que investiga a estatal de petróleo será prorrogada, a Câmara terá quatro vagas para instalação de novas comissões temporárias. Atualmente, há 11 requerimentos que solicitam a criação de CPIs na Casa legislativa, que aguardam deferimento do presidente.

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