Segunda-feira, 16 de Dezembro de 2019

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Mundo Crise na Venezuela: saiba quais são os interesses da China no país latino-americano

O ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, e o presidente da China, Xi Jinping, em cerimônia em Pequim. (Foto: Reprodução)

Mesmo a milhares de quilômetros de distância, a China não perde de vista o que está acontecendo na Venezuela.

Ao lado da Rússia e Turquia, o país asiático tem sido um dos maiores defensores de Nicolás Maduro na crise política, social e econômica que se agravou depois que o líder da oposição Juan Guaidó se autoproclamou presidente interino da Venezuela.

Embora Pequim não tenha sido tão direta quanto a Rússia de Putin, as declarações do governo chinês são interpretadas por especialistas como um endosso a Maduro, cuja reeleição tem a legitimidade contestada pelos opositores.

“A China apoia os esforços realizados pelo governo da Venezuela para manter a soberania, a independência e a estabilidade nacional”, declarou Hua Chunying, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, em entrevista realizada um dia após a autoproclamação de Guaidó em Caracas.

Hua também enfatizou que Pequim “se opõe à interferência estrangeira nos assuntos da Venezuela”, em uma mensagem indireta aos Estados Unidos, o primeiro país a reconhecer Guaidó e a estimular uma pressão internacional contra Maduro.

Fiel à sua política de não interferir em assuntos internos, a China se limitou a pedir calma aos envolvidos, mas sua preocupação com o resultado dessa situação tem crescido.

Pequim é o principal credor do governo venezuelano e tem muitas fichas no país sul-americano, conforme explicaram especialistas consultados pela BBC News Mundo (serviço em espanhol da BBC).

Os atuais estreitos laços entre China e Venezuela começaram a se formar no começo dos anos 2000.

Caracas, ainda sob Hugo Chávez, tentava diversificar os países para os quais exporta sua principal fonte de riqueza, o petróleo.

Pequim, em franco crescimento econômico desde sua abertura nos anos 1980, começava a procurar novas fontes de recursos para suprir a demanda de sua grande população.

Naquele momento, a China já era um dos principais importadores de petróleo do mundo.

“O petróleo é a razão mais fundamental para o encontro entre China e Venezuela. A China precisava de uma grande quantidade de petróleo, e a Venezuela tinha isso”, resumiu à BBC News Mundo Matt Ferchen, estudioso do papel da China em países em desenvolvimento no Centro Carnegie-Tsinghua de Políticas Globais.

A relação floresceu baseada principalmente em “acordos de financiamento pelo petróleo”, lembra Ferchen, que considera o laço cultivado com Caracas um erro de Pequim, diferente de outras aproximações com países produtores de petróleo.

De 2007 a 2018, Pequim emprestou ao país latino-americano mais de US$ 67 bilhões (cerca de R$ 256 bilhões, em valores não corrigidos), de acordo com os dados mais recentes do centro de estudos Diálogo Interamericano e da Universidade de Boston.

Nos primeiros anos, essa cooperação parecia beneficiar ambos os governos, mas a morte de Chávez em 2013 “mudou as coisas dramaticamente”, diz o analista do centro Carnegie-Tsinghua.

Na fase atual, os preços do petróleo caíram e a situação econômica da Venezuela piorou muito, chegando ao quadro atual em que sustenta o título de inflação mais alta do mundo e onde há sérios problemas de escassez de mercadorias, como remédios e alimentos.

A situação levou Caracas, agora com Nicolás Maduro no poder, a violar cláusulas acordadas com Pequim e solicitar maiores “períodos de carência”.

Segundo diferentes fontes, o país sul-americano ainda deve à potência asiática quase US$ 20 bilhões.

“Há um grande risco [para a China na Venezuela]”, diz Cui Shoujun, diretor do Centro de Estudos Latino-Americanos da Universidade Renmin da China, um dos mais prestigiados do país.

Cui concorda que Pequim está preocupada com a situação e acredita que “ninguém pode garantir” o que acontecerá com os acordos entre os dois países se houver uma mudança de governo na Venezuela.

No entanto, Cui é um dos que pensa que Maduro está fazendo a coisa certa: “Diplomaticamente, a China deve apoiar Maduro – ele é o líder legítimo da Venezuela”, defende.

Segundo os analistas, além do petróleo, há um quê a mais na relação da China com a Venezuela, à diferença de seus laços com outros produtores de petróleo.

Desde sua chegada ao poder em 2013, o presidente Xi Jinping expandiu a influência chinesa na América Latina, jogada vista por alguns especialistas como uma tentativa de contrabalançar a influência de Washington na região.

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