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De volta ao Globo de Ouro, Meryl Streep comenta assédio em Hollywood

Meryl Streep disse não estar ciente de nenhum rumor sobre o suposto assédio sexual a mulheres. (Foto: Reprodução)

“Desrespeito é um convite ao desrespeito; violência gera violência. E, quando os poderosos usam suas posições para amedrontar os outros, todos nós saímos perdendo.” Foi assim que Meryl Streep discursou ao ser premiada pelo conjunto da obra no Globo de Ouro de 2017. A crítica era a Donald Trump, que, dias depois, assumiria a Presidência dos EUA após campanha marcada por insultos a minorias, declarações misóginas e ultranacionalismo.

Um ano depois, Streep volta à cerimônia, neste domingo (7) em Los Angeles. O clima é outro, mas o discurso poderia ser reutilizado, no caso de ela vencer pela nona vez, agora concorrendo por seu papel em “The Post: A Guerra Secreta”, de Steven Spielberg.

O alvo, no entanto, seria mais próximo: nos últimos meses, Harvey Weinstein, produtor que Streep chamou de “deus” ao receber o Oscar por “A Dama de Ferro” (2011), foi acusado por dezenas de mulheres de assédio sexual, abusos e estupros praticados ao longo de mais de 20 anos.

Streep, conhecida por projetos de inclusão de mulheres na indústria cinematográfica, disse que “não sabia de nada”. Mas os conservadores não perdoaram. Um artista de ultradireita californiano apelidado de Sabo espalhou cartazes por Los Angeles com a foto dela ao lado de Weinstein e os dizeres “ela sabia”.

Após a notícia de que algumas atrizes vestiriam preto no Globo de Ouro como “protesto silencioso”, Rose McGowan, uma das principais acusadoras de Weinstein, atacou a estrela no Twitter: “Seu silêncio é o problema”.

Streep, indicada 31 vezes ao Globo, reafirmou que nunca soube dos atos do produtor e seguiu promovendo “The Post”. No filme, ela é Katharine Graham (1917-2001), “publisher” do “The Washington Post” quando da divulgação, pelo jornal, de documentos secretos do governo americano sobre a Guerra do Vietnã – os “papéis do Pentágono”.

A caixa de Pandora não se fechou após Weinstein. Atores, apresentadores, produtores, comediantes e políticos foram enquadrados em acusações de ataques sexuais.

“Acho emocionante o que está acontecendo”, exalta Meryl Streep. “Como feminista, é o momento mais otimista para mulheres em 40 anos, mesmo que tenha sido à custa da dor de muitas. Muita coisa vai mudar, estamos vivendo um despertar.”

Mas Streep, que trabalha ininterruptamente desde 1977, sabe que um estágio de igualdade ainda vai demorar. “Cenas de mulheres tirando a blusa não vão acabar. E não deveriam. São engraçadas”, surpreende a atriz.

“O problema está mais em cima. Quem compra os filmes são homens. Isso diz muito a respeito do que passa nos shoppings. Nossa cultura é escrita e controlada pelos homens.”

Ela crê que o acobertamento dos abusos sexuais de Weinstein, por exemplo, teria sido evitado “se o conselho administrativo da Weinstein Company tivesse metade das vagas ocupada por mulheres”.

“Elas veriam o pagamento dos termos de confidencialidade, questionariam o destino desse dinheiro e não pagariam. O mundo mudará quando tivermos parceria.”

A atriz diz que o ideal de divisão de tarefas e de respeito mútuo foi o que a levou a “The Post”. O foco do longa é a dinâmica entre Graham, que pode perder o jornal caso publique documentos secretos, e o editor Ben Bradlee (1921-2014), um dos jornalistas mais importantes dos EUA, vivido por Tom Hanks.

“É um filme inusitado sobre a parceria entre uma mulher e um homem que se admiram e se respeitam. Sempre tive isso na minha carreira”, explica a atriz, que trabalha pela primeira vez com Hanks, outro papão de Oscar.

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