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Delações, perseguição e críticas: procurador avalia a Operação Lava-Jato, que completa cinco anos

Roberson Pozzobon é um dos 13 procuradores da força-tarefa da Lava-Jato no Ministério Público Federal. (Foto: Reprodução de TV)

O procurador do MPF (Ministério Público Federal) Roberson Pozzobon fez uma avaliação do trabalho da Operação Lava-Jato, que completa cinco anos neste domingo (17). Delações, perseguição e o eventual fim da operação são alguns dos temas abordados.

Críticas aos acordos de delação

As delações são reconhecidas pela força-tarefa como um instrumento importante no decorrer do trabalho. Pozzobon rechaça, no entanto, que o Ministério Público Federal tenha exigido informações específicas para fechar determinados acordos. Ele explica que não há preferência pelo que o colaborador irá revelar e que a primeira diretriz é de falar “toda a verdade”. “A Lava-Jato não define qual é o objeto do acordo”, disse.

Perseguição a determinados partidos

O procurador classifica as críticas de que a Lava-Jato tenha uma atuação partidária como “teorias conspiratórias”. “Não faz o menor sentido”, afirma. Segundo ele, essas hipóteses são apresentadas por investigados que não conseguem enfrentar a clareza das provas contra eles. “Foram mais de 15 partidos que tiveram ilícitos revelados. Os grandes partidos nacionais tiveram altos integrantes responsabilizados, muitos dos quais estão cumprindo pena”, indicou Pozzobon.

Quando acaba a Lava-Jato?

Pozzobon entrou para a força-tarefa do MPF quando a operação tinha três meses, em julho de 2014. Desde então, uma pergunta recorrente, seja em entrevistas ou em reuniões familiares, é: quando acaba a Lava-Jato? “Desde aquela época a minha resposta é: ‘Eu não sei’. É simplesmente impossível adivinhar quando novas provas vão ser obtidas”, afirmou.

Corrida de gato e rato

Ao avaliar o aprendizado da equipe no trabalho de combate aos chamados crimes de colarinho branco, o procurador define a atuação como uma “verdadeira corrida de gato contra o rato”. Para ele, os criminosos investigados tornam cada vez mais rebuscados e refinados os métodos de lavagem de dinheiro e de funcionamento das organizações.

Funcionamento da força-tarefa

Segundo o procurador, o modo de funcionamento da operação em força-tarefa nas diferentes instituições que o trabalho envolve é um dos fatores que permitiram que tantos crimes fossem descobertos e bilhões de reais recuperados. “Começou com uma estrutura muito mais singela. Em 2014, eram seis procuradores da República. Hoje a força-tarefa da Lava Jato em Curitiba já conta com 13 procuradores. A equipe total no MPF aqui soma mais de 50 pessoas”, disse.

O “surpreendente” departamento de propinas da Odebrecht

Pozzobon diz acreditar que um dos fatos mais significativos descobertos no âmbito da Lava Jato tenha sido o funcionamento do departamento de operações estruturadas da Odebrecht – setor que movimentava propinas. “Esse departamento movimentou, mais de 4 bilhões de reais ao longo de uma década”, explicou o procurador.

Transparência nos processos

Na avaliação do procurador, a Lava-Jato lança mão do sigilo apenas em relação aos fatos que ainda estão em investigação. A publicidade dos atos, que é alvo de críticas – principalmente de investigados –, para ele é um dos pilares da operação. “Eu costumo dizer que críticas são muito bem-vindas na Lava-Jato, serão refletidas e levam a um aperfeiçoamento natural de todas as instituições”, afirmou.

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