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Deputados já pressionam para a reforma da Previdência incluir os militares

O texto precisa do apoio de 308 deputados para ser aprovado na Casa. (Foto: Cleia Viana/Câmara dos Deputados)

A reação contrária dos militares a sua inclusão na proposta de reforma da Previdência não passou em branco pelo Congresso. Preparados para enfrentar o desgaste político para apoiar a proposta, deputados começam a declarar que só topam votar pela reforma se ela incluir todo mundo. Inclusive, os militares.

Deputado mais votado em Sergipe, Fábio Mitidieri (PSD) foi claro a esse respeito na sua conta no Twitter. “Não existe a menor possibilidade de eu votar uma reforma da Previdência que não seja para todos. Se excluir militares e/ou qualquer outra categoria, voto contra. Essa bomba não pode estourar só no lado mais fraco”, afirmou o parlamentar. “Se o governo fizer concessões, a reforma da Previdência vai para o brejo”, prevê.

Lobby

O lobby explícito de integrantes das forças armadas para que os militares fiquem de fora da reforma da Previdência tem causado desconforto entre técnicos da equipe econômica e em parte da ala política do governo. Num só dia, na quarta-feira (9), três autoridades militares falaram publicamente contra mudanças.

Tamanha é a força dos militares na gestão de Jair Bolsonaro que alguns dos assessores dos ministros da Economia, Paulo Guedes, e da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, admitem reservadamente a possibilidade de que os integrantes das Forças Armadas ficarão de fora da reforma.

“Se a movimentação fosse apenas de bastidor, poderíamos tentar convencer o presidente da necessidade de mudar as regras que levam os militares a reserva. Mas o lobby é explicito, e o fato de o presidente não se manifestar é uma preocupação maior”, disse um assessor de Guedes.

Rombo

O temor dos técnicos do governo se justifica porque o rombo previdenciário dos militares cresce em ritmo mais acelerado do que o dos servidores civis.

Dados do Tesouro Nacional mostram que o déficit chegou a R$ 40,5 bilhões em novembro de 2018, alta de 13% em relação ao mesmo período de 2017. As receitas para custar a passagem dos militares para a reserva totalizaram apenas R$ 2,1 bilhões, e as despesas foram de R$ 42,6 bilhões.

No caso dos servidores civis, o rombo cresceu 5,22%, na mesma base de comparação, e o déficit do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), que se refere aos segurados do setor privado, teve alta de 7,4%.

Silêncio de Bolsonaro

Um assessor de Lorenzoni afirmou que o silêncio do presidente Jair Bolsonaro sobre o assunto traz ainda mais desconforto entre os técnicos do governo.

“Bolsonaro deixou claro durante a campanha que não era favorável às mudanças nas normas para a passagem dos militares para a reserva. Mas ainda não se manifestou depois que assumiu o cargo. Esse silêncio é o maior problema e indica que os militares podem ficar de fora da reforma”, declarou.

Parlamentares civis do PSL e integrantes da Secretaria de Governo também estão preocupados com os ruídos. Caso os militares fiquem de fora da reforma, alguns deles avaliam que o governo pode perder parte do apoio popular que elegeu Bolsonaro.

“Bolsonaro não foi eleito apenas por militares e seus familiares. O voto em Bolsonaro foi um recado para acabar com privilégios e benefícios, inclusive de integrantes das Forças Armadas”, disse um parlamentar do PSL.

 

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