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Desvios da Operação Lava-Jato ultrapassam 29 bilhões de reais

Nardes diz que a ineficiência da fiscalização e a falta de comando nos órgãos levaram ao desvio de recursos. (Foto: José Cruz/ABr)

O ministro do TCU (Tribunal de Contas da União), Augusto Ribeiro Nardes, relator do processo que resultou na rejeição das contas da presidenta Dilma Rousseff, por causa das pedaladas fiscais, disse, em Teresina (PI), que em valores atualizados os desvios de recursos públicos que provocaram a Operação Lava-Jato já alcançaram a cifra de 29 bilhões de reais. Ele afirmou que tentou avisar “por diversas vezes” a presidenta sobre as irregularidades que vinham ocorrendo desde 2010, “mas não lhe deram ouvidos”.

O ministro destacou que no período de 2010 a 2014 pedaladas fiscais de 106 bilhões de reais foram remanejadas da Caixa Econômica e do FGTS. Já no ano de 2015 foram mais 2,5 bilhões de reais. “Foram abertos créditos suplementares sem a autorização do Congresso. Isso é ilegal”, avaliou Nardes.

Ele participou de um evento onde falou sobre eficiência na gestão pública. Em sua palestra discorreu sobre o Índice Geral de Governança e Federação, falando ainda sobre competitividade. De acordo com o ministro, “tem que fazer o País funcionar, senão o País não cresce e as pessoas não têm emprego para defender a família”.

Por fim, Nardes salientou que a ineficiência da fiscalização e a falta de governança nos órgãos públicos levaram ao desvio ou ao desperdício de recursos, que atualizado por técnicos da Corte de Contas chegam a 29 bilhões de reais. Ele destacou que o grande problema na governança está nos líderes que não sabem o que priorizar e na falta de sequência nos projetos. Para o ministro, quem é um bom governante pode não ser um bom gestor. E vice-versa.

Nardes avaliou que o diálogo e um “trabalho conjunto” podem fazer o País sair da crise. “Tem que sentar todos à mesa, imbuídos de boa vontade para colocar a sociedade em primeiro lugar. Esse é um dos princípios da governança”, recomendou.

MPF repatria 54 milhões de dólares

A Procuradoria-Geral da República conseguiu repatriar este mês 54 milhões de dólares do executivo Julio Faerman, representante da empresa SBM Offshore e que fez um acordo de delação premiada com o MPF (Ministério Público Federal). Faerman é acusado de ser o operador de propinas da empresa holandesa em contratos com a Petrobras desde 1997, ainda durante o governo Fernando Henrique Cardoso. (AD)

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