Últimas Notícias > Capa – Coluna Direita > Fogo atinge duas casas na Ilha do Pavão, em Porto Alegre

Dez grandes tragédias mataram 1.774 pessoas no País em 12 anos, sem condenações

A tragédia de Brumadinho não foi prevenida nem após o desastre de Mariana. (Foto: Luiz Santana/ALMG)

Um levantamento considerando dez grandes tragédias dos últimos 12 anos mostra que 1.774 pessoas morreram em acidentes aéreos, desabamentos, incêndios, naufrágios e explosões que poderiam ter sido evitados ou cujos danos poderiam ser menores. Um misto de negligência, omissão, impunidade, segundo levantou o jornal O Globo.

Segundo a reportagem, estão unidos casos como o acidente da TAM de 2007 e o incêndio na boate Kiss. Um rastro de falhas no cumprimento de regras, de alertas ignorados, fiscalização deficiente e impunidade.

As tragédias destes 12 anos analisadas não geraram nenhuma condenação na Justiça, reforçando a percepção de que não é preciso seguir regras ou corrigir erros. “O poder público não fiscaliza. E, por outro lado, os princípios fundamentais da segurança das operações não são obedecidos pelas empresas”, afirma Celso Atienza, da Associação Paulista dos Engenheiros de Segurança do Trabalho.

“Empresas e agora até um clube de futebol mostram que não têm condutas adequadas do ponto de vista da segurança. Muitas vezes veem o item como um custo a ser reduzido. Há falhas de fiscalização por parte da boate Kiss, do Flamengo, da Samarco e do que até agora está se revelando no caso Vale”, diz o procurador José Adércio Leite, que participa das investigações sobre o rompimento das barragens de Mariana e Brumadinho.

Até agora, a investigação em Minas aponta que a Vale foi informada de problemas na drenagem e nos aparelhos de medição antes de 25 de janeiro, quando a barragem rompeu.

Enchentes com mortes

No Rio, mortes causadas por enchentes e deslizamentos, como as da última quarta-feira, remontam a um problema histórico de ocupação em áreas de risco. Já o CT do Flamengo, que pegou fogo sexta-feira, não tinha certificado dos bombeiros nem alvará e foi autuado 30 vezes pela prefeitura.

“O poder público não fiscaliza. E, por outro lado, os princípios fundamentais da segurança dessas operações não são obedecidos pelas empresas”, afirma o engenheiro Celso Atienza, conselheiro da Associação Paulista dos Engenheiros de Segurança do Trabalho. “No Brasil, o pessoal empurra com a barriga. Sabe que tem problema, que está errado, mas continua fazendo.”

A palavra negligência aparece explicitamente em duas investigações feitas em tragédias dessa década. No relatório da PF (Polícia Federal) sobre o desastre de Mariana (MG), em 2015, a mineradora Samarco não tomou providências em relação a problemas na barragem que rompeu e que haviam sido identificados em 2014. Sete pessoas foram indiciadas pela PF, entre executivos e engenheiros. Mais de três anos depois, o julgamento, no entanto, ainda não aconteceu.

Naufrágio na Bahia

Também foi a negligência, segundo conclusão da Marinha, que levou 19 pessoas à morte em 2014 no naufrágio da lancha Cavalo Marinho I, entre Itaparica e Salvador (BA). A investigação culpou o dono e o comandante da lancha por alterarem pesos usados para manobras e por terem deixado a embarcação sair num clima adverso. Eles não foram julgados ainda.

Boate Kiss

Em 2013, o incêndio da boate Kiss, em Santa Maria (RS), deixou 242 mortos. Uma série de problemas levou o Ministério Público a pedir a punição dos donos do local e dos músicos que se apresentaram na noite da tragédia. A boate tinha apenas uma saída, não tinha sinalização de emergência nem chuveiros automáticos, além de teto inflamável, em desacordo com a lei municipal. O julgamento ainda não foi marcado devido a recursos.

Falta de vistoria no CT do Flamengo

O contêiner que alojava os jogadores da base do Flamengo não foi incluído nas três vistorias feitas pelos Bombeiros no CT do clube em 2018, por não constar do projeto inicial. A estrutura era originalmente usada como área de descanso e sala de musculação. Os primeiros resultados da investigação sobre a tragédia confirmam que o incêndio começou no aparelho de ar condicionado , e especialistas afirmam que a instalação de um disjuntor poderia ter evitado a tragédia.

Acidente da TAM 

Pilotos reclamavam das condições ruins de Congonhas em dias de chuva. Diretor de Segurança de Voo da TAM sabia do estado do aeroporto, e a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) liberou as pistas sem as ranhuras para evitar derrapagens. O que houve depois? O inquérito da PF não apontou culpados. O MPF denunciou o então diretor da TAM, Marco Castro, e a então diretora da Anac, Denise Abreu. Ambos foram inocentados.

Deixe seu comentário: