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Diante do juiz, médico Leandro Boldrini nega ter matado o filho Bernardo e culpa os outros réus pelo assassinato

Foro da comarca de Três Passos. (Fotos: Vitor Hugo Wiederkehr/TJ-RS)

Foram interrogados nessa quarta-feira os réus do caso da morte do menino Bernardo Uglione Boldrini, assassinado em abril do ano passado, aos 11 anos. As oitivas de Leandro Boldrini, Graciele Ugulini, Edelvânia e Evandro Wirganowicz aconteceram no foro da comarca de Três Passos (Noroeste).

“Jamais compactuaria”, disse o médico.
“Jamais compactuaria”, disse o médico.

Do lado de fora, dezenas de pessoas, entre moradores da cidade, familiares e amigos de Bernardo e de sua mãe, Odilaine Uglione, se concentraram entoando canções e pedidos de justiça. No entorno do local, havia barracas e um carro de som que reproduzia o áudio – recuperado do celular do pai do garoto – de pedidos de socorro da criança. “Santinhos” com uma foto do menino foram distribuídos e houve a ocorrência de apitaços. Todos os acusados chegaram ao foro usando colete à prova de balas. Com o fim dos interrogatórios, encerrou-se a fase de instrução do processo.

Por volta das 10h30min, o primeiro a ser interrogado foi o pai do garoto, o médico Leandro Boldrini. Com referência às acusações, se eximiu de culpa e jogou a responsabilidade pelo crime aos outros réus. “Tenho a cristalinidade que a acusação é falsa. Eu não participei disso”, afirmou. “Os autores são os outros denunciados. Laudos, imagens mostram isso. Eu não tenho nada a ver com isso”, declarou o médico ao juiz titular do processo que apura o caso, Marcos Luis Agostini. Ele ainda disse que está sendo acusado “por intuição do Ministério Público e da Polícia Civil”.

Inocência
Ao final de sua fala, que se deu às 13h45min, Boldrini reafirmou sua inocência. “Estou preso injustamente. Eu tô aqui para falar a verdade. Vou falar quantas vezes [forem] necessárias. Olhando nos seus olhos, com amor no coração pelo Bernardo: me destruíram. Cadê o Bernardo? Eu sou inocente, doutor”, afirmou diretamente ao magistrado. O réu lamentou ainda seus erros, segundo ele “injustificáveis”. “Todo mundo erra. Tentei buscar o melhor. Sou uma pessoa esclarecida e jamais compactuaria. O senhor tem total autoridade para fazer justiça. Eu só quero que justiça seja feita. Estou lá há um ano, sobrevivendo. A mídia me massacrando, por sensacionalismo comercial. A Justiça tem que ser justa, correta. Sou inocente”, completou.

Sobre os demais acusados, Boldrini contou que conheceu Graciele na Páscoa de 2010 e, no mesmo ano, começaram a se relacionar. Afirmou que não conhece Edelvânia, mas ouviu falar nela duas vezes. Também disse não conhecer Evandro. Relatou ao defensor de Edelvânia que, “pelo que ele sabe”, ela teria participação efetiva no crime.

O acusado ainda explicou as funcionalidades do Midazolan, usado na injeção letal aplicada no menino. Falou que seu relacionamento com o filho era bom. “Tínhamos diálogo”, ele disse. Sobre a ex-sogra Jussara Uglione, afirmou que nada tem

Graciele (E) e a amiga Edelvânia (D) chegam ao foro usando colete à prova de balas.
Graciele (E) e a amiga Edelvânia (D) chegam ao foro usando colete à prova de balas.

contra ela. Boldrini contou ainda que ficou sabendo da morte de Bernardo quando já estava preso. “Fui conversar com a Graciele. Perguntei: ‘Você tem participação nisso?’”. Segundo ele, ela confirmou.

Silêncio
Graciele, madrasta da vítima, e sua amiga Edelvânia Wirganovicz não quiseram prestar depoimento. Graciele negou-se a responder até mesmo seu nome. Agostini explicou que as acusadas têm o direito constitucional de permanecem em silêncio

Evandro Wirganowicz

e que a recusa em falar não é analisada como um prejuízo à defesa. “Eu vim à força. Não tinha condições de vir. Estou fazendo tratamento. Só vou falar no dia do júri”, revelou Edelvânia.

Pescaria 
Último a depor, Evandro Wirganowicz (foto), negou participação no crime. Ele é acusado de ter aberto a cova, às margens de um rio em Frederico Westphalen (Norte), e apontou a irmã Edelvânia como autora do ato. “Se ela fez, tem que pagar. Tem que assumir o que fez.” Disse que, na antevéspera do desaparecimento de Bernardo, foi pescar, mas do outro lado.

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