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Documentos mostram que caso o de envenenamento de um espião na Inglaterra está ligado com o governo russo

Montagem mostra os russos Ruslan Boshirov (esq.) e Alexander Petrov, que são procurados pela polícia britânica pelo caso do espião russo envenenado na Inglaterra. (Foto: reprodução)

Documentos revelados por jornalistas fornecem a primeira evidência de que os suspeitos de usar o agente neurotóxico Novitchok em Salisbury (Sul da Inglaterra) têm laços formais com o Ministério da Defesa russo. As autoridades britânicas acusaram, no dia 5 de setembro, Alexander Petrov e Ruslan Boshirov de conspiração para assassinar Sergei e Yulia Skripal e o detetive-sargento Nick Bailey. O ex-espião russo e sua filha foram encontrados em colapso no dia 4 de março – ele encontra-se internado, mas consciente, enquanto a filha recebeu alta em abril –, e o policial ficou doente depois de tentar ajudá-los – o policial recebeu alta em 22 de março.

Os promotores britânicos dizem que Petrov e Boshirov trabalham para a inteligência militar russa, fato que o presidente Vladimir Putin nega. Mas o passaporte de um dos dois suspeitos apresenta uma marcação “secreta” e um número de telefone com o pedido “Não dê informações”. O número, descoberto pelo Observer neste sábado (15), é da recepção do Ministério da Defesa da Rússia, onde um funcionário informou que não falaria com jornalistas nem forneceria qualquer informação.

As informações e os documentos foram publicados pela Bellingcat, plataforma online iniciada com investigações de ataques na Síria, e pela agência russa The Insider. Ambos os sites também se especializaram em descobrir informações sobre soldados russos ativos na Ucrânia desde 2014. As plataformas informaram o relatório de voo da Aeroflot que indica que os dois homens compraram seus ingressos no último minuto, contradizendo as alegações de que a viagem a Salisbury havia sido planejada muito tempo antes.

Uma página sobre Petrov obtida pelas agências de notícias apresenta pouca informação biográfica e nenhum dado dele antes de 2009. Especialistas dizem que isso é extremamente raro para um homem de 39 anos, e que o departamento que emitiu seu passaporte normalmente só o faz para aqueles que trabalham em determinados papéis para o governo. “As pessoas normais não recebem seus passaportes aqui”, disse Sergei Kanev, repórter que participou da investigação à TV Rain. “Não falo de empresários ou funcionários de alto escalão. São pessoas que costumam trabalhar disfarçadas, inclusive os serviços de inteligência.”

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia negou os dados do relatório e informou que acredita que Bellingcat tem laços com a inteligência ocidental. De acordo com o órgão, só isso justifica o acesso do grupo a um banco de dados russo que não está publicamente disponível. Em entrevista na semana passada, dois homens que se pareciam com os suspeitos disseram à TV patrocinada pelo governo russo que visitaram Salisbury duas vezes, mas negaram que tivessem trabalhado para inteligência militar russa, conhecida como GRU, ou tivessem cometido algum crime. Os homens disseram que eles eram turistas em férias e que queriam ir na torre da Catedral de Salisbury e Stonehenge.

A Scotland Yard disse acreditar que Petrov e Boshirov são pseudônimos e que as identidades reais dos homens foram encobertas pelo governo russo.

Suíça 

Além das evidências levantadas pelos jornalistas, neste sábado (15) a Suíça informou ter prendido dois russos suspeitos de serem espiões. Eles tentavam pegar material de um laboratório suíço ligado ao caso Skripal e também estão sob investigação por tentativa de ataque cibernético a Agência Mundial Antidoping (Wada).

De acordo com o Ministério Público da Suíça, os dois são alvos de investigação desde março, quando tentaram invadir as informações da Wada. Acabaram presos por tentarem acessar ilegalmente a rede de computadores do Spiez, instituto suíço para a proteção contra ameaças e riscos nucleares, biológicas e químicas. O Spiez, localizado em Berna, foi escolhido pela OPAQ (Organização para a Proibição de Armas Químicas) para analisar as amostras obtidas em Salisbury.

Pussy Riot

No mesmo dia em que novos fatos agitaram o caso de Serguei Skripal, a ativista Veronika Nikulshina, do Pussy Riot, que acompanha Piotr Verzilov, informa que ele recobrou a consciência no hospital em que está internado na Rússia. Verzilov, de 30 anos, foi um dos ativistas que invadiram o campo na final da Copa do Mundo em julho, em Moscou, junto com outras três mulheres. Ele é editor do Mediazone, um site de notícias com foco em denúncias de violações de direitos humanos no país.

Verzilov está internado em estado grave desde quinta-feira (13), sob suspeita de envenenamento. “Petya [Piotr] recobrou a consciência, mas segue tendo alucinações e delírios”, disse Nikulshina, revelando que ele será transferido para Berlim.

 

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