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Dois pontos

Enquanto a legislação penal não se tornar mais rigorosa, a Balada Segura terá efeitos reduzidos. (Foto: Leandro Osório/Especial/Palácio Piratini)

Observações a quatro dias do começo da campanha eleitoral: 1ª) Se o PT não participar de mais um ou dois debates na TV, o prejuízo será considerável. 2ª) Diante das dificuldades de Lula, previsíveis há bastante tempo, o partido deveria ter filiado Guilherme Boulos. Possui perfil muito mais aguerrido do que Fernando Haddad, que parece integrante da Câmara Alta do Parlamento Britânico.

Números distantes

Em respeito aos eleitores, os candidatos à Presidência deveriam chegar a um acordo sobre o número de obras paralisadas no país. A cada entrevista ou debate, surgem dados diferentes. O técnico Tite ainda termina convocando um deles para a seleção por se revelarem exímios chutadores.

Dinheiro jogado fora

Sobre obras paralisadas: a euforia em começar a construir é incontida. Rendem discursos, fotos, notícias e falsas expectativas. Sem qualquer planejamento, acabam faltando recursos para o funcionamento. É o que ocorre sobretudo com postos de saúde e hospitais.

Ramo diferente

A maioria dos eleitores se dará por satisfeita se os candidatos revelarem apenas paixão pelo possível. Os vocacionados para a ficção devem procurar na Internet o Guia de Concursos Literários e enviar suas criações. Deixarão de encher a paciência da população.

Para fugir da rotina

Entidades representativas de vários setores correm atrás dos responsáveis pelas agendas dos candidatos ao governo do Estado. Querem agendar debates, mesmo sabendo que as perguntas não variam e as respostas são quase sempre as mesmas. Uma alternativa é formar duplas: Miguel Rossetto e Jairo Jorge, frente a frente. Depois, José Ivo Sartori e Eduardo Leite. Com tempo para explanações, será possível conferir os pontos em que se aproximam ou se distanciam.

Desafina

O governador Fernando Pimentel atrapalha candidatos do PT em outros estados. Disse ontem que o parcelamento dos salários dos funcionários públicos de Minas Gerais não tem data para terminar. Ainda na contramão da linha do partido, afirma que “o problema financeiro do estado vai continuar se não se fizer uma reforma da previdência pública.”

Outros tempos

O mineiro Milton Campos, que integrou a Assembleia Nacional Constituinte em 1945, costumava perguntar: “O que é o poder civil?”. Ele mesmo acrescentava: “É a brigada de choque dos políticos que compõem o Congresso na defesa do interesse público.” Quantos hoje podem dar a mesma resposta?

Situações opostas

A iniciativa privada é sujeita a riscos. Quando tudo corre bem, há lucro. Se vai mal, o empresário tem dores de cabeça e perde dinheiro. É a regra do jogo e a maioria acha que não há outra melhor. Na gestão pública, o governante pode planejar mal, executar ações que provocam imensos prejuízos e ir embora. Deixa a faca e o abacaxi na mesa para o próximo descascar. Nem a Lei de Responsabilidade Fiscal, sancionada em 2000, corrigiu os vícios. Ao longo de 18 anos, vê-se que há sempre um jeitinho para passar por cima.

À espera

Dois projetos estão na fila para votações no plenário da Assembleia Legislativa: 1º) exige apresentação de Carteira de Vacinação atualizada para matrícula de alunos na rede de ensino publica e privada. Autor: Gilmar Sossela. 2º) Cria a política de incentivo para hortas domésticas em áreas urbanas e rurais como medida de segurança alimentar. Autora: Miriam Marroni.
De comum entre eles: foram protocolados em 2011.

Rotina

As vistorias da Balada Segura equivalem a enxugar gelo. Resumem-se a autuações e, algumas vezes, à condução para uma delegacia. É o tal de prende e solta. No dia seguinte, o infrator, com ou sem carteira, está novamente dirigindo alcoolizado e pondo em risco a vida de outros. Só a punição com muito mais rigor, como nos Estados Unidos, pode curar rapidamente a bebedeira.

O que é

A eleição presidencial se resume a uma frase: procura-se um estadista.

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