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Dor de estômago pode ser um sintoma de estresse, úlceras e até câncer

Aproximadamente 20% da população de todo o mundo pode ter dor de estômago. (Foto: Reprodução)

A sensação dolorosa na parte superior do abdome é conhecida há milênios. Nas cartas trocadas entre o filósofo Cícero e seu amigo Tito Ático, a referência a ela era constante. A ideia do filósofo romano era enfatizar sua reação aos políticos da época mas, talvez, nesses escritos, esteja a origem de um provérbio italiano que diz: Dor de estômago, nenhuma felicidade

Uma pesquisa bem mais recente que avaliou os riscos e a prevalência desse sintoma concluiu que 20% da população de todo o mundo pode vivenciá-lo, e que a dor de estômago é mais frequente entre as mulheres, fumantes e pessoas que fazem uso contínuo de um anti-inflamatório, principalmente o do tipo não esteroide. O estudo foi publicado pelo prestigioso British Medical Journal (BMJ), em 2015.

Apesar de muitas vezes a dor de estômago não estar associada a doenças graves, uma coisa é fato: ela sempre impacta negativamente a qualidade de vida das pessoas.

Como ela se manifesta

A dor de estômago é definida como toda sensação de mal-estar localizado na parte central superior do abdome, popularmente referido como “boca do estômago”.

Algumas pessoas relatam sentir uma queimação, que pode ser até atrás do osso do peito; outras descrevem uma picada, aperto ou cólica que se irradia para outros locais. A intensidade é variável. E a indisposição pode aparecer antes ou depois de comer.

A dor pode também vir acompanhada dos seguintes sintomas: Sensação de empachamento ou inchaço; Náuseas; Vômito; Arroto (eructação); Regurgitação.

Por que isso acontece?

As possibilidades são variadas. Abusos na dieta, no álcool ou café, uso de medicamentos, principalmente o Ácido Acetil Salicílico (AAS) ou anti-inflamatórios, além da presença de uma bactéria chamada Helicobacter pylori, capaz de causar inflamação na mucosa gástrica. Todas essas condições levam a uma irritação, inflamação ou alterações na movimentação do estômago e, consequentemente, à dor.

Mas, segundo os especialistas, em 50% dos casos, a causa é indefinida, devido a uma síndrome denominada dispepsia funcional: os médicos não conseguem identificar uma razão que justifique as queixas do paciente. Apesar disso, sabe-se que os fatores abaixo listados podem estar relacionados ou desencadear o incômodo: Uso de medicamentos à base de nitrato, anti-inflamatórios não esteroides; Obesidade; Estresse e ansiedade; Hérnia de hiato; Infecção por Helicobacter pylori; Refluxo gastroesofágico; Úlcera gástrica ou duodenal; Câncer de estômago; Aneurisma da aorta abdominal.

Quem precisa ficar atento

Além das mulheres, mais suscetíveis, indivíduos com histórico familiar e pessoas que fazem uso de medicamentos sem a devida orientação profissional.

Quando é hora de ir ao médico

Embora todos possam sentir dor de estômago de vez em quando, consultar um gastroenterologista é essencial nos casos em que ela fica mais intensa e se repete com frequência, atrapalhando a sua vida no dia a dia, ou quando seus familiares vivem tendo problemas digestivos.

Como o sintoma também pode ter relação com inflamações agudas ou crônicas, câncer e, eventualmente, a presença de uma bactéria chamada Helicobacter pylori – um tipo de infecção que pode causar úlcera –, você deve ser avaliado por um especialista.

Como é feito o diagnóstico

No pronto-socorro ou em uma consulta, o médico deve ouvi-lo para entender a dor e a sua história de saúde. Na sequência ele fará o exame físico, que inclui apalpação do estômago para entender onde se localiza o incômodo.

É possível que exames complementares sejam solicitados. O mais conhecido deles é a endoscopia digestiva que avalia o interior do órgão.

O que esperar do tratamento

A terapia varia de acordo com a causa, a intensidade e a gravidade do sintoma. Como a dieta pode provocar ou acentuar o desconforto, os cuidados começam uma série de orientações dietéticas.

Entre os medicamentos mais utilizados no tratamento da dor de estômago destacam-se os inibidores da secreção ácida, que os médicos chamam de Inibidores da Bomba de Prótons (IBP), e que oferecem resultados mais seguros e eficazes.

Posso usar antiácido sem problemas?

O medicamento é seguro e eficaz, mas deve ser prescrito pelo seu médico. Só ele é capaz de avaliar qual é a melhor opção no seu caso.

Como todo fármaco, o antiácido pode desencadear efeitos colaterais. Os mais comuns são constipações intestinais (se o remédio for à base de alumínio), ou diarreias (caso possua hidróxido de magnésio em sua composição).

Evite a automedicação. O risco que você corre é mascarar o diagnóstico ou mesmo usar um medicamento errado.

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