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Durante palestra na Suécia, o presidenciável brasileiro Ciro Gomes disse que conceder um indulto para Lula seria “uma loucura”

Ex-ministro também criticou a inclusão do nome do petista nas pesquisas eleitorais. (Foto: Banco de Dados/O Sul)

Durante um evento em Estocolmo (Suécia), o ex-ministro e pré-candidato do PDT à Presidência da República, Ciro Gomes, classificou de “loucura”, caso vença a eleição deste ano para o Palácio do Planalto, a ideia de prometer indulto ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Parte do PT tem pressionado candidatos da esquerda a se comprometerem com um eventual perdão judicial ao ex-presidente caso vençam a disputa. O comentário foi feito em resposta à pergunta de um brasileiro que assistia à palestra na Câmara de Comércio Brasileira na Suécia sobre um eventual compromisso de Ciro em conceder indulto ao ex-presidente.

“Se eu prometesse indulto a Lula, eu estaria agindo contra ele, que é meu amigo há mais de 30 anos”, disse o pedetista em resposta à pergunta de um brasileiro durante uma palestra. “Indulto é apenas para aqueles que já foram condenados em todas as instâncias. E Lula ainda está recorrendo da decisão que o condenou. Portanto, se eu disser que daria indulto a Lula caso for eleito, Lula poderia me mandar para a puta que pariu. Ou seja, ele teria uma reação adversa, e diria, ‘Porque vai me indultar? Sou inocente’.”

Apesar da aparente defesa da inocência do petista, o pré-candidato criticou o fato de o nome de Lula ainda constar dos cenários eleitorais das pesquisas de intenção de voto para as eleições presidenciais de 2018: “Qualquer pesquisa que comece colocando o ex-presidente Lula no universo pesquisado vai deformar tudo o mais. Enquanto não houver a possibilidade de se comparar aqueles que vão se apresentar na disputa eleitoral, as pesquisas vão continuar sendo apenas um retrato do momento”.

“Porque é pacífico, entre todos que estudamos Direito, que a Lei da Ficha Limpa o impedirá de ser candidato. E enquanto isso não for resolvido, uma das principais, senão a principal força do campo progressista, fica paralisada. E isso deforma tudo o mais”, acrescentou o presidenciável.

Pesquisa

As declarações foram feitas um dia depois da divulgação da pesquisa CNT/MDA, que apontou a liderança de Lula na corrida presidencial com 32,4% das intenções de voto. Atrás do líder petista – preso desde o dia 7 de abril em Curitiba  (PR) – aparecem o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL) com 16,7%, a ex-ministra Marina Silva (Rede) com 7,6%, Ciro Gomes com 5,4% e o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB), com 4%.

Em um cenário eleitoral sem o ex-presidente, segundo a mesma pesquisa, Bolsonaro figura em primeiro lugar com 18,3% das intenções de votos, seguido pelos ex-ministros Marina Silva (11,2%), e Ciro (9,0%), o que caracterizaria um empate técnico.

Na visão de Ciro, a insistência do PT com a candidatura de Lula segue uma “lógica perigosa”. No partido, a discussão sobre um “plano B” tem sido interditada por líderes como a senadora Gleisi Hoffmann, presidente nacinal da legenda. Parte dos petistas, como o ex-governador da Bahia Jacques Wagner, tem defendido conversas com Ciro.

“Estão repetindo a ideia de que vão manter a candidatura de Lula, não sei até que limite. Essa lógica que eles adotaram é perigosa. E evidentemente, conhecendo a vida como eu conheço, tenho sentido a minha responsabilidade crescendo muito. E tenho conversado com todo mundo. Com o PSB, com o PCdoB e com frações ou corpos inteiros de outros movimentos ao centro e à direita”, disse o pedetista.

“Isso é um equívoco grosseiro”, ponderou. “Porque as eleições são a única saída através da qual o Brasil pode se livrar de uma agenda que nos foi imposta pelo golpe, que é uma agenda extraordinariamente amarga – anti-pobre, anti-povo e anti-interesse nacional. E a única forma que nós temos de não permitir que essa agenda seja legitimada pelo voto popular é apostar todas as fichas na eleição. De maneira que me parece um equívoco bastante perigoso insistir numa tese que não se sustenta à luz da realidade do país.”

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