Últimas Notícias > Esporte > Na Copa América, Argentina e Paraguai empataram em 1 a 1

Elis Regina foi vítima de overdose: saiba como foram as últimas horas da cantora

Elis morreu em 19 de janeiro de 1982. (Foto: Divulgação)

A minissérie “Elis – Viver é Melhor que Sonhar”, adaptação do longa de 2016 exibida na semana passada pela Globo, biografou a trajetória de uma das cantoras mais populares da história da música brasileira de forma linear e sumária, retratando o período que vai da adolescência até a morte da artista, por overdose. A adaptação abordou como foram suas últimas horas.

A morte de Elis é um dos pontos mais delicados e controversos de seus 36 anos de vida. Na cena que antecede a morte, Elis, perturbada emocionalmente, bebe sobre a cama enquanto ouve música em um gravador de fitas K7. Há frascos de comprimidos no local. Ela usa o telefone e, após tocar a bebida com o dedo, desfalece para nunca mais acordar. Sua última ligação foi endereçada ao namorado (e advogado) Samuel Mac Dowell.

Muito antes disso, a morte de Elis Regina é citada logo na abertura da minissérie, em um trecho da transmissão do Jornal Nacional. Não há menção direta à causa. “De repente, hoje de manhã, em São Paulo, o coração de Elis parou. Calou-se a voz e o Brasil começou a chorar”, diz o apresentador chamando a reportagem que mostra o velório da artista.

No encerramento da minissérie, que trouxe cenas inéditas e uma entrevista fictícia de Elis interpretada por Andréia Horta, um texto assinado pelo cartunista Henfil ressalta, de forma poética e figurada, que a cantora foi “morta” pelos homens ao seu redor, que não souberam lidar com um espírito muito à frente de seu tempo. “Nós, homens, não conseguimos namorar uma mulher livre.”

Nada disso foi exibido assim por acaso. Em entrevistas, o diretor e roteirista Hugo Prata sugere que abordar de forma breve o período em que Elis consumiu drogas e não escancarar o motivo da morte no roteiro foram decisões de cunhos histórico e estético.

Independentemente disso, o fato é que a manhã do dia 19 de janeiro de 1982 entrou para a história da música brasileira como o dia em que o Brasil perdeu um de seus grandes talentos – e, também, o início de um de seus grandes escândalos. Elis, que não tinha histórico de abuso, sofreu uma parada cardíaca após consumir uísque, cocaína e tranquilizantes. A exemplo de astros do rock, a maior cantora do País havia morrido de overdose acidental.

Era demais para a sociedade conservadora brasileira, que vivia o ocaso do regime militar. Sob esse contexto, Elis, uma mulher intelectualmente independente e separada de dois maridos, passou de unanimidade nacional a persona non grata para uma parcela dos fãs, que começou a questioná-la artística e moralmente.

Para proteger sua imagem, parentes, amigos e pessoas próximas a Elis chegaram a ir a público contestando a causa da morte oficial, por intoxicação provocada por bebida alcoólica e cocaína. Na época, o diretor do IML paulistano era Harry Shibata, que seis anos antes assinara o laudo falso sobre o suposto suicídio do jornalista Vladimir Herzog, assassinado por oficiais militares.

Como aconteceu

Na noite do dia 18 de janeiro, Elis e Samuel haviam recebido amigos no apartamento da cantora na rua Melo Alves, no bairro Jardim Paulista, área nobre de São Paulo. Os convidados deixaram o local por volta das 21h e, Mac Dowell, horas depois. Lidando com a pressão de ser mulher, mãe e de ter de continuar lançando novos discos, Elis queria um tempo para se concentrar nas músicas do próximo trabalho. Abalada emocionalmente, ela não conseguia pregar os olhos. De acordo com o namorado, nas últimas ligações que trocaram, já pela manhã, Elis mais balbuciava do que falava. Sem obter retorno, Samuel saiu de seu escritório na avenida Ipiranga e correu para o apartamento, arrombando a porta e encontrando Elis estirada e inerte no quarto.

O advogado acionou o médico da cantora e tentou chamar uma ambulância, mas, o carro não aparecia. Ele então resolveu levá-la de táxi para o pronto-socorro do hospital das Clínicas de São Paulo. Elis chegou ao local às 11h45, já sem vida. “Samuel tentava reavivá-la, gritando seu nome e fazendo respiração boca a boca”, diz a biografia “Elis Regina – Nada Será Como Antes”, que defende que a demora de mais de uma hora da ambulância foi determinante para a morte. “Os sinais mostravam que a cantora havia chegado aos seus cuidados tarde demais”, diz outro trecho do livro, citando a médica responsável pelo atendimento.

Deixe seu comentário: