Em 2018, a gasolina subiu no País quase o dobro da inflação

Preço do combustível avançou 7,24% no ano passado, apesar das pressões para a redução dos combustíveis, que culminou na greve dos caminhoneiros. (Foto: Maria Ana Krack/PMPA)

O preço da gasolina subiu 7,24% no acumulado de 2018, quase o dobro da inflação oficial medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que foi de 3,75%. Preço médio da gasolina e do diesel nas bombas termina 2018 em alta. O combustível foi um dos componentes que mais pesaram na alta dos preços no ano passado. Em 12 meses, a gasolina teve um impacto de 0,31 ponto percentual no IPCA.

A alta da gasolina veio em meio a fortes pressões para a redução nos preços dos combustíveis no País, que culminou na greve dos caminhoneiros, em maio, e numa política de subvenção ao diesel. As críticas à política de reajustes da Petrobras levaram à renúncia de seu então presidente, Pedro Parente, em junho. A estatal passou a adotar reajustes quase diários da gasolina nas refinarias, que são responsável por repassar ou não os preços ao consumidor final. A Petrobras reajusta os preços dos combustíveis com base nas cotações do petróleo e do câmbio no mercado internacional.

Recuo nas refinarias

Apesar do aumento da gasolina em 2018, o preço cobrado pela petroleira nas refinarias recuou. O repasse dos reajustes para o consumidor final depende dos postos. Em novembro, a ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis) chegou a pedir que as principais distribuidoras de combustíveis esclarecessem por que a redução do preço da gasolina nas refinarias não vinha sendo repassada para o consumidor final.

Venda de ativos da Petrobras

A ANP pressiona a Petrobras a dar agilidade à venda de ativos da companhia. Segundo o diretor-geral do órgão regulador, o prazo para venda de campos não explorados já não será mais determinado pela estatal. “Os desinvestimentos estavam sendo conduzidos ao bel prazer da Petrobras, segundo os interesses da Petrobras. Isso é legítimo, mas agora não é mais a Petrobras que define o prazo para a venda [de campos não explorados], disse Décio Oddone na manhã desta sexta-feira (11) em conversa com jornalistas no Rio.

No ano passado, a ANP notificou a Petrobras a apresentar a relação de todos os seus blocos em águas rasas e informar quais os que tem interesse em manter, quais quer vender e quais deseja devolver à União. O prazo para resposta é até junho de 2019, mas a empresa quer uma prorrogação desse prazo.

Segundo Oddone, a petroleira já apresentou uma relação dos seus ativos, mas quer ter mais tempo para avaliar o interesse por eles. Para os campos de desejar manter em seu portfólio, a empresa deverá assumir a obrigação de apresentar um plano de desenvolvimento com o compromisso de investimentos.

Ainda segundo Oddone, a ANP pediu ao Comitê Nacional de Política Energética autorização para colocar na oferta permanente blocos de exploração que se encontram dentro do polígono do pré-sal, que são mais atrativos para o mercado. Se aprovado, eles serão ofertados sob o regime de partilha.

 

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