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Em 80 edições nos últimos três anos, a Operação Desmanche interditou 128 estabelecimentos em 43 cidades gaúchas

Mais recente ofensiva foi deflagrada nessa quinta-feira em Passo Fundo. (Foto: Rodrigo Ziebell/SSP)

Em três anos de atuação, a Operação Desmanche totalizou 128 estabelecimentos interditados em 43 municípios gaúchos, com mais de 70 prisões e 6 mil toneladas de sucata automotiva recolhidas. O balanço foi divulgado nessa quinta-feira, quando a força-tarefa chegou à sua 80ª edição.

Essa marca foi atingida em Passo Fundo (Norte do Estado), onde a Força Tarefa dos Desmanches recolheu, durante a manhã, mais de 100 toneladas de material. Foram vistoriados quatro locais, sendo dois credenciados pelo Detran (Departamento Estadual de Trânsito) do Rio Grande do Sul. Os outros dois acabaram interditados. Ninguém foi detido.

Além do órgão, participaram da ação mais de 90 servidores vinculados à Secretaria da Segurança Pública, incluindo agentes do Departamento de Inteligência da Segurança Pública, Brigada Militar, Polícia Civil, Instituto-Geral de Perícias e Corpo de Bombeiros.

Para a ação de Passo Fundo, a Força Tarefa investigou denúncias sobre irregularidades em estabelecimentos do município por meio da análise de dados de inteligência levantados sobre os locais.

Essa foi a primeira vistoria realizada no município e faz parte do projeto que tem por objetivo expandir a Operação, iniciada em fevereiro de 2016. Outros municípios da região já foram vistoriados em edições passadas, dentre os quais Tapejara e Erechim.

A capitã Marta Moreira, coordenadora da força-tarefa, considera as vistorias em municípios ainda não visitados como algo essencial para coibir crimes como furto e roubo de veículos. “Conforme a ofensiva avança, as organizações criminosas tentam se restabelecer em outros pontos do Estado, o que exige um estudo aprofundado para definir a estratégia em cada local”, acrescenta.

Legislação

A Lei Federal 12.977 (“Lei dos Desmanches”) entrou em vigor em agosto de 2015, com o objetivo de combater a recepção de veículos roubados. Desde então, só empresas registradas no Detran podem atuar no comércio de peças usadas, mediante uma série de requisitos, como a inclusão de cada uma das peças à venda em sistema informatizado, vinculando-as à nota fiscal e à placa do veículo de origem.

Com essa legislação, a Operação Desmanche foi criada para integrar a atuação dos órgãos estaduais e aprimorar o combate à receptação e ao desmanche de veículos roubados, impedindo que estabelecimentos irregulares ou que vendam peças sem origem identificada continuem em funcionamento.

Além das vistorias a partir de estudos e denúncias, a força-tarefa ganhou novo foco a partir do lançamento do programa “RS Seguro”, do governo gaúcho. A Operação Desmanche participa atuando na vistoria dos estabelecimentos credenciados. O objetivo é agir “pedagogicamente”, orientando comerciantes sobre a importância de adquirir peças com procedência comprovada e coibir outras irregularidades.

As cidades visitadas até agora são Aceguá, Almirante Tamandaré do Sul, Alvorada, Arroio dos Ratos, Cachoeirinha, Camaquã, Candelária, Canela, Canoas, Carlos Barbosa, Capão da Canoa, Caxias do Sul, Curumim, Eldorado do Sul, Erechim, Estância Velha, Esteio, Estrela, Gravataí e Guaíba.

Completam a lista Montenegro, Nova Prata, Nova Bassano, Novo Hamburgo, Pantano Grande, Parobé, Passa Sete, Passo Fundo, Pelotas, Portão, Porto Alegre, Rio Pardo, Santa Maria, São Leopoldo, São Sebastião do Caí, Sapiranga, Sapucaia do Sul, Sarandi, Soledade, Tapejara, Torres, Vera Cruz e Viamão.

Destinação

Todo material sem procedência que é retirado do comércio irregular retorna em benefícios para a sociedade. Encaminhado à Gerdau (empresa parceira que recolhe a sucata automotiva para a reciclagem do aço), as peças de origem ilícita são reaproveitadas em diversos setores da comunidade, gerando benefícios à economia estadual.

O aço reciclado é reutilizado para a produção de automóveis, compondo itens da estrutura básica dos veículos – como a barra de direção – em peças essenciais para a segurança do condutor. A sucata ainda é aproveitada em usinas eólicas para geração de energia renovável à população.

O material apreendido também é reutilizado na construção civil e no agronegócio. As mais de 6 mil toneladas de peças recolhidas viraram vergalhões de aço, cercas, pregos e parafusos empregos na construção de estruturas urbanas, como a nova ponte do Guaíba. No meio rural, a sucata é destinada à geração de peças de maquinário agrícola, como tratores.

(Marcello Campos)

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