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Mulher do empresário Joesley Batista nega a versão de delator da JBS/Friboi

Por meio de nota, Joesley Batista e Ricardo Saud afirmam que "mantêm o que disseram à PGR em relação ao jantar de acerto de propinas com líderes do PSD. (Foto: reprodução)

Uma gravação aponta que Ticiana Villas Boas, mulher de Joesley Batista, dono da J&F/JBS/Friboi que se tornou delator, negou informações dadas por outro colaborador da empresa, o ex-diretor Ricardo Saud, que atuava como lobista do grupo no Congresso Nacional.

Ela rebateu informações dadas por Saud em relação a um jantar em sua casa em que teria se discutido pagamento de propina para o governador do Rio Grande do Norte, Robinson Faria (PSD). No encontro também estaria presente o deputado Fábio Faria (PSD-RN), filho do governador.
“É… aquele jantar, imagina só, não tem nada a ver… do que falaram, foi um jantar normal, eu não vi nada de, de, de, dinheiro, de… de nada que beirasse ser ilícito”, disse Ticiana em áudio enviado à Patrícia Abravanel, mulher do Fábio Faria que, segundo Saud, estaria presente no jantar.

O material foi protocolado por advogados de Patrícia Abravanel em uma ação civil contra Saud em que ela pede uma multa de 300 mil reais por danos morais.

“Joesley me falou que é um amigo dele [Saud], é… com uns casais, é… jantar em casa, como tem, praticamente como tinha, praticamente, milhõ…, jantar todo dia na minha casa, com vários políticos, vários empresários, tudo presidente, tudo na minha casa, ia, então, óbvio, não achei nada demais, nada de diferente do que… do que eu tô acostumada e não conversamos nada sobre isso”, afirma Ticiana na gravação.

Na audiência de homologação de sua delação premiada, Ricardo Saud disse ao juiz que “foi um jantar muito elegante. Foi o Fábio Faria com a noiva dele, Patrícia Abravanel, filha do Silvio Santos, o Robinson Faria com a esposa dele, nós todos com as nossas esposas para tratarmos de propina”, disse. “Até bacana, né? Todo mundo com as esposas juntos”, afirmou ironicamente. Segundo ele, os pagamentos ilícitos estavam ligados às campanhas de 2014.

No áudio, Ticiana disse ainda que os assuntos tratados na ocasião foram sobre “SBT, sobre filho, eu acho que eu tava grávida na época, você logo depois me chamou pra ir pro chá, pro chá de bebê de Pedro [filho de Patrícia e Fábio], eu fui”.

Ela também se dispôs a depor a favor da filha de Silvio Santos. “Se você for chamada pra depor, ou você… ou tiver qualquer tipo de implicação pra você, eu sou sua testemunha de defesa e vou deixar claramente que é um absurdo.”

O áudio foi gravado no dia 1º de junho, depois que notícias sobre o rompimento entre a família de Patrícia Abravanel e Ticiana foram publicadas na imprensa. A mulher de Joesley era apresentadora do SBT, canal do pai de Patrícia, Silvio Santos, mas tinha pedido afastamento no período em que a delação da J&F veio a público.

Na segunda-feira, a defesa de Fábio Faria entrará com um pedido no STF (Supremo Tribunal Federal), onde corre o processo sobre suposto beneficiamento ilícito do deputado, para anular a delação de Saud.

“Vamos entrar com pedido juntando o áudio, o laudo comprovando que a gravação é verídica e o pedido de nulidade da colaboração de Ricardo Saud, uma vez que ele foi desmentido pela mulher do maior acionista do grupo J&F que é a Ticiana”, afirmou José Luis Lima, advogado de Faria.

Para a defesa de Faria, o áudio reforça a tese de que o jantar aconteceu em novembro, após as eleições de 2014, “o que não justificaria tratar de propina”, segundo o advogado. Na gravação, Ticiana cita um chá de bebê realizado no dia 9 daquele mês e fala que isso foi próximo ao jantar em sua casa.

Em nota, Ticiana Villas Boas confirmou a veracidade do áudio “que enviou em apoio a amiga e colega de trabalho Patrícia Abravanel”.

Por meio de nota, Joesley Batista e Ricardo Saud afirmam que “mantêm o que disseram à PGR em relação ao jantar de acerto de propinas com líderes do PSD”. No entanto, dizem que a conversa sobre propinas para as campanhas do governador Robinson Faria e do deputado Fábio Faria, ambos do PSD, transcorreu sem a presença das mulheres dos presentes. (Folha de S. Paulo)

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