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Mulheres indígenas fazem protesto inédito em Brasília

A 1ª Marcha das Mulheres Indígenas é realizada na capital federal. (Foto: Douglas Freitas/Mídia Índia)

Mulheres indígenas realizaram um protesto nesta terça-feira (13), em Brasília, contra políticas do governo do presidente Jair Bolsonaro. O ato faz parte da 1ª Marcha das Mulheres Indígenas, cujo mote é “Território: nosso corpo, nosso espírito”. A Polícia Militar estimou em torno de 1.500 pessoas na manifestação. Já os organizadores falaram em 3.000. Não houve tumulto.

A marcha foi organizada pela Apib (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil) e teve até vaquinha para financiar a viagem das indígenas para a capital federal. Elas conseguiram arrecadar pouco mais de R$ 49 mil. A marcha ocorre em meio ao Fórum Nacional de Mulheres Indígenas.

A ocupação do prédio do Ministério da Saúde na segunda-feira (12) foi outra ação das indígenas no âmbito da marcha. O alvo foi a Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena). As manifestantes são contra a municipalização da saúde indígena e a chefe da secretaria, Silvia Waiãpi, militar e indígena.

Nesta terça-feira, as indígenas saíram da Funarte por volta das 9h e seguiram até a Esplanada dos Ministérios. A organização estima a participação de 120 povos, de diferentes Estados, no ato, que se uniu, no fim da manhã, a um protesto contra o contingenciamento de verbas para a educação.

As mulheres são de aldeias de Estados como Amazonas, Acre, Pará, Maranhão, Roraima e Mato Grosso do Sul, além de outros países da América do Sul.

“Esse governo totalmente autoritário e conservador quer negar e explorar nossos territórios, negando nosso direito de existir”, diz a líder indígena Sônia Guajajara, uma das organizadoras da marcha. “Viemos para marcar posição e mostrar que estamos alertas e vigilantes.”

Precisamos garantir que nossos territórios sejam respeitados. É a razão da nossa existência. Estão invadindo nossas matas, matando rios, envenenando terras” diz Luisa Canuto, índia tabajara que vive no Ceará.

Patricia Kamayura, do Xingu, diz que uma marcha de mulheres indígenas é importante para mostrar que elas podem lutar lado a lado com homens na defesa dos direitos indígenas. “Viemos reivindicar o que está na Constituição e é nosso por direito.”

Na segunda-feira, um grupo de líderes indígenas foi até o STF (Supremo Tribunal Federal) para falar com a ministra Cármen Lúcia sobre seus direitos.  Segundo Guajajara, a ministra se mostrou receptiva quanto às demandas.

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