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Em caravana pelo Rio de Janeiro, Lula culpou a Operação Lava-Jato pelos problemas do Estado

O petista ironizou o ex-prefeito do Rio Eduardo Paes (PMDB). (Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula)

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva alfinetou velhos aliados na noite de quarta-feira (06). Em Maricá – única cidade do Rio de Janeiro que é administrada por um petista –, Lula listou casos de governantes detidos em decorrência da Operação Lava-Jato para afirmar que a “política entrou em um processo de destruição no Rio”. Sem citar o nome desses políticos – apenas cargos – Lula disse que “o Rio de Janeiro vai voltar a ter gente honesta governando”.

Na cidade, ele ironizou ainda o ex-prefeito do Rio Eduardo Paes (PMDB), que, em um grampo, aparece dizendo que Maricá “é uma merda de lugar”. Curiosamente, o diálogo se deu no ano passado com o próprio Lula, à época seu aliado. Paes comparava a cidade a Atibaia, onde fica um sítio que era usado pelo petista.

No palanque, Lula disse lamentar que não estivesse ali um ex-prefeito que nunca visitara a cidade, em referência a Paes. O ex-presidente também responsabilizou a Lava-Jato pelas mazelas do Estado. “A Lava-Jato não pode fazer o que está fazendo com o Rio”, disse Lula.

O petista continuou: “Não pode, por causa de meia dúzia que eles dizem que roubou, mas ainda não provaram, causar esse prejuízo”. Funcionários da prefeitura chegaram uniformizados à Praça da Matriz, por volta das 17h, para acompanhar o evento com o ex-presidente.

Odebrecht

Os defensores de Lula argumentam que Tacla Durán deveria ser ouvido no processo sobre a compra de um terreno para o Instituto Lula por ter informações sobre o departamento de propinas da Odebrecht. Na semana passada, em depoimento à CPMI da JBS por videoconferência, o advogado declarou que são falsos os extratos obtidos a partir do sistema Drousys, utilizado para contabilizar o pagamento de vantagens indevidas pela empreiteira.

Nesta ação penal, o ex-presidente é acusado de receber 12,9 milhões de reais em propina da empreiteira, por meio da compra de um terreno que abrigaria o Instituto Lula, em São Paulo, e um apartamento em São Bernardo do Campo (SP).

“Esses extratos são falsos e já foram periciados. No caso da denúncia do presidente Michel Temer, esses extratos que foram aportados, eles demonstram que o sistema foi manipulado. A partir do momento em que o sistema foi manipulado antes, durante e depois do bloqueio, as provas, no meu entender, são viciadas. Todas as provas que saem daquele sistema, a partir daí, são viciadas”, disse Rodrigo Tacla Durán a deputados e senadores.

Antes da participação dele na CPMI, um procedimento já havia sido aberto a pedido da defesa de Lula para apurar a falsidade de outros documentos apresentados pelo Ministério Público Federal na denúncia contra o petista. Em um deles, a defesa afirma que um mesmo documento aparece assinado uma única vez em uma versão e, em outra, exibe duas assinaturas.

Ao negar a oitiva de Tacla Durán, Moro afirmou que “a palavra de pessoa envolvida, em cognição sumária, em graves crimes e desacompanhada de quaisquer provas de corroboração não é digna de crédito” e que “seu depoimento em nada contribuiria para a apuração dos fatos na presente ação penal”. O magistrado ainda sustentou que “a oitiva de testemunha no exterior é diligência sempre custosa e demorada”.

Os advogados do ex-presidente argumentam, por outro lado, que “o fato de uma pessoa ser acusada de eventual envolvimento em crimes não pode ser usado para impedir sua oitiva enquanto testemunha de fatos com os quais possa ter ligação direta”. “Assim não fosse, delações e depoimentos de aspirantes a delatores, ordinariamente desacompanhados de quaisquer elementos de corroboração, teriam de ser de plano descartados, o que não se pratica [muito ao contrário]”, completam os defensores de Lula.

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