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Em decisão surpresa, Cristina Kirchner anuncia que concorrerá a vice-presidente da Argentina

Com uma robusta base de seguidores, Cristina Kirchner era vista como principal ameaça ao presidente Mauricio Macri. (Foto: Reprodução)

Cristina Kirchner anunciou que concorrerá como vice na corrida presidencial deste ano na Argentina, em um passo surpreendente da combativa ex-presidente, que era amplamente cotada como principal desafiante ao postulante à reeleição, Mauricio Macri. As informações são da agência de notícias Reuters e da BBC.

Uma populista de esquerda e personalidade polêmica no país, que é a segunda maior economia sul-americana, Cristina disse em um vídeo publicado nas redes sociais neste sábado (18) que será candidata a vice de Alberto Fernández, ex-chefe de gabinete da presidência.

Os argentinos irão às urnas em outubro, com Macri cada vez mais sob pressão em meio a uma crescente recessão e uma inflação em alta, o que têm prejudicado o desempenho do líder pró-mercado nas pesquisas.

Com uma robusta base de seguidores, Cristina Kirchner era vista como principal ameaça a Macri, embora muitos argentinos continuassem receosos com seu retorno à presidência, que ela ocupou entre 2007 e 2015.

Alberto Fernández serviu como chefe de gabinete do ex-presidente Nestor Kirchner, o já falecido marido de Cristina, e continuou na posição por alguns meses após ela assumir o governo. Ele é considerado um moderado dentro do amplo espectro político do flanco peronista.

Pelo menos três motivos teriam levado a senadora Cristina Kirchner a anunciar que teria desistido de concorrer à presidência da Argentina e que se candidataria a vice. Problemas com a Justiça, questões políticas e familiares, segundo analistas ouvidos pela BBC News Brasil, estariam por trás da decisão, que provocou forte surpresa no âmbito político.

“Nós, líderes, devemos deixar a vaidade de lado, e eu estou disposta a ajudar a partir de um lugar onde possa ser mais útil”, disse ela na mensagem de pouco mais de dez minutos, em vídeo, na qual faz duras críticas à situação econômica do governo de Mauricio Macri.

A Argentina está em recessão e enfrenta altos índices de inflação, com forte efeito sobre os indicadores de pobreza. Apoiadores do governo Macri, que assumiu em dezembro de 2015, costumam atribuir a situação atual à herança deixada pela antecessora. Esta, por sua vez, responsabiliza a má administração do sucessor pela piora nos indicadores.

A decisão de Cristina foi o tema mais comentado no Twitter na Argentina neste sábado.

“Já temos chapa presidencial!!! Alberto Fernández presidente e Cristina vice. Com esta chapa vamos derrotar o Cambiemos (base governista ‘Mudemos’)”, escreveu na rede social o ex-chanceler do kirchnerismo, Jorge Taiana.

Em um discurso neste sábado, o presidente Macri, que é candidato à reeleição, disse, por sua vez, que os argentinos “não podem voltar ao passado, porque seria autodestrutivo”.

Problemas com a Justiça

O anúncio da ex-presidente, que governou a Argentina entre 2007 e 2015 e foi antecessora de Macri, foi feito a três dias do início do julgamento de um dos processos a que responde e pelo qual se espera que compareça, pela primeira vez, no próximo dia 21 de maio, ao banco dos réus, ao lado de ex-assessores.

O caso envolvendo obras públicas gerou, na semana passada, uma disputa no Judiciário, que acabou provocando panelaços em bairros de Buenos Aires.

A Suprema Corte de Justiça determinou que a ação, que estava em uma instância inferior, lhe fosse enviada e o julgamento, adiado, sem data marcada. A iniciativa provocou reação e a pressão social, segundo analistas, acabou levando o retorno do caso para o tribunal onde estava. O início do julgamento foi confirmado, então, para esta terça.

Jogada política

No âmbito político, segundo especialistas, a ex-presidente estaria tentando atrair o apoio de peronistas para a fórmula liderada por Fernández.

O peronismo é o movimento político fundado há mais de setenta anos pelo ex-presidente Juan Domingo Perón (1895-1974), conta com várias linhas ideológicas e pelo menos quatro possíveis candidatos à sucessão de Macri: o ex-ministro da Economia do governo de Nestor Kirchner Roberto Lavagna, o ex-candidato presidencial Sérgio Massa, o governador da província de Salta, no norte do país, Juan Manuel Urtubey, e a chapa envolvendo Cristina.

Questões familiares

Uma das acusações contra a senadora envolve os dois filhos, Máximo e Florencia Kirchner.

Assim como ela, Máximo goza de imunidade parlamentar e estaria livre da prisão caso fosse condenado. Deputado federal, ele é um de seus principais aliados e confidentes políticos, como conta Cristina em seu livro Sinceramente, lançado neste mês de maio com grande repercussão.

Analistas observam, porém, que Florencia, que é cineasta e está realizando tratamento médico em Cuba, não dispõe da prerrogativa, o que preocuparia a ex-presidente.

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