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Em depoimento, Lula negou ter incitado a invasão do triplex atribuído a ele no Guarujá

Incidente foi protagonizado por dois movimentos sociais, após a prisão do ex-presidente. (Foto: EBC)

Nessa terça-feira, a delegada Luciana Fuschini, da PF (Polícia Federal) de Santos, ouviu o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a ocupação, em abril do ano passado, do Condomínio Solaris e da cobertura triplex atribuída a ele no Guarujá, litoral paulista. Segundo a defesa do líder petista, ele negou ter incitado a ocupação.

Na época, aproximadamente 50 integrantes do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) e da Frente Povo Sem Medo ocuparam o apartamento depois de invadir o edifício, localizado na orla da Praia das Astúrias. Lula foi condenado em segunda instância por receber propina da construtora OAS por meio de reformas no imóvel – ele sempre negou a acusação.

De acordo com informações extraoficiais, o depoimento do ex-presidente começou às 10h, na Superintendência Regional de Polícia Federal no Paraná, em Curitiba (PR), onde o homem que governou o País por dois mandatos (2003-2010) está preso. A oitiva durou cerca de 10 minutos. O inquérito corre sob sigilo.

“A delegada queria saber se o ex-presidente tinha incitado a ocupação do imóvel. Ele disse que não. Ela queria saber se ele tinha conversado com o pessoal do MTST ou com o Guilherme Boulos [coordenador da entidade e ex-presidenciável pelo PSOL] depois daquele dia em que ele falou na praça [antes de se entregar à Operação Lava-Jato]. E ele disse não também”, relatou na saída Manoel Caetano Ferreira, advogado do ex-presidente.

“Ela também perguntou o que ele quis dizer quando disse ‘O apartamento é meu, pode ocupar’. Esse trecho não tem 6 segundos em um discurso que demorou mais de meia hora. Foi apenas força de expressão em um momento no qual que ele estava indignado com a condenação pelo Tribunal Regional Federal”, acrescentou.

Incidente

A ocupação no condomínio e no triplex ocorreu em 16 de abril do ano passado, nove dias depois de Lula se entregar à PF para cumprir a condenação na Lava-Jato por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex.

“O barulho era muito grande, havia uma algazarra. A gente realmente estranha, pois eles querem respeito, mas não respeitam a gente”, comentou, à época, o morador da cobertura ao lado, o médico Mauricy Magário, de 58 anos. Os ocupantes permaneceram no apartamento por cerca de quatro horas e saíram dele após negociação com policiais militares.

No mesmo dia do incidente, a delegada Luciana Fuschini abriu inquérito por “esbulho possessório”, nome técnico para os casos em que há uma invasão violenta feita por um grupo a um bem. O caso é de atribuição da Polícia Federal porque o triplex foi confiscado pela Justiça durante as investigações da Lava-Jato.

Naquela época, os advogados dos dois movimentos (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto e Frente Povo Sem Medo) se apresentaram à delegacia da Polícia Federal, mas não indicaram os envolvidos no ato.

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