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Enquanto o governo se envolve em crises quase todos os dias, a oposição está dividida e ainda buscando a melhor forma de agir no cenário político

O líder da oposição, Alessandro Molon, diz que é preciso aproveitar fragilidades do governo para apresentar propostas. (Foto: Agência Brasil)

Enquanto o governo Jair Bolsonaro se envolve em crises quase todos os dias, a oposição está dividida e ainda buscando a melhor forma de agir no cenário político. Com o PT amarrado à bandeira “Lula Livre”, os demais partidos se dividem na disputa por cargos de destaque no Congresso e ainda não têm uma atuação conjunta. A ideia da maioria, porém, é de que os partidos anti-Bolsonaro precisam ter cautela em seus posicionamentos para evitar serem usados pelo centrão no momento em que há desgaste com o governo e, posteriormente, serem abandonados.

Alessandro Molon (PSB-RJ), líder da oposição na Câmara, argumenta ser preciso aproveitar as fragilidades do governo para começar a apresentar propostas:

“Justamente pela inexistência de governo é que o papel da oposição se torna mais importante do que nunca. Cabe a ela ajudar a tirar o país da paralisia, discutindo políticas públicas e alternativas. O desafio que está colocado para a oposição é enorme.”

A preferência é centrar os debates em temas como a Reforma da Previdência. Os partidos de esquerda que apoiaram a reeleição de Rodrigo Maia (DEM-RJ) para a Presidência da Câmara — PDT e PCdoB —, negociaram com ele o adiamento da pauta de costumes para enfrentar primeiro a econômica. Os deputados dessas siglas entendem que, como o Congresso está mais conservador em costumes e essa postura encontra ressonância em vários setores da sociedade, seria melhor adiar os enfrentamentos nessa área. Essa estratégia coincide com a do governo, que decidiu priorizar a Reforma da Previdência.

O líder do PT na Câmara, Paulo Pimenta (RS), afirma que a oposição precisa manter o foco nas pautas econômicas porque a disputa política entre Maia e Bolsonaro, na sua visão, não é suficiente para impedir a aprovação da reforma:

“Temos claro que essa disputa entre eles (Maia e Bolsonaro) é mais periférica. O governo pauta temas que criam polêmica para alimentar sua base, mas esse debate da periferia não altera a questão central, de que eles têm todo interesse de aprovar essa reforma da Previdência, à qual nos opomos.”

O petista reconhece que a defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva gera divisão na oposição. E diz que o PT tem consciência de não poder obrigar outras siglas a defender essa bandeira.

“Nós sabemos quem é o aliado tático para lutar contra o governo e esse projeto de sociedade, e quem são os aliados programáticos que estão junto conosco na defesa do presidente Lula”, diz o líder do PT.

Para evitar que as cisões internas contaminem o ambiente, os partidos decidiram voltar esforços para a construção de alternativas à reforma da Previdência proposta por Bolsonaro. A ideia é oferecer um pacote que enfrente o problema fiscal e promova alterações mais leves nas aposentadorias e pensões, atacando somente casos considerados de privilégios. No Senado, o plano é apresentar propostas nesta semana, enquanto na Câmara a audiência prevista com o ministro Paulo Guedes (Economia), na próxima quarta-feira, é encarada como uma oportunidade de fazer essa discussão.

O líder da Rede no Senado, Randolfe Rodrigues (AP), reconhece que o próprio governo tem feito parte do trabalho da oposição. Mesmo assim, diz acreditar que os oposicionistas vivem um bom momento:

“Toda semana o governo nos deixa na frente do gol. Quando não são os integrantes da equipe, é o próprio presidente. O governo vive de bravatas, provocações. O trabalho da oposição acaba sendo favorecido.”

 

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