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Entenda como o ciclo menstrual afeta positivamente o cérebro das mulheres

Independente do motivo de sua ocorrência, a transformação mensal do cérebro das mulheres poderia ser uma vantagem. (Foto: Reprodução)

Até hoje, a noção de que a biologia feminina pode confundir seu cérebro é uma marca da cultura popular. Se a mulher está mal-humorada, perguntam-lhe se está na TPM; se está excitada sexualmente, dizem-lhe que deve estar ovulando.

Isso até tem fundamento – algumas mulheres realmente se sentem mais ansiosas e irritáveis durante o período menstrual, e é verdade que ficamos mais motivadas ao sexo quando o óvulo é liberado. (Mas claro, isso não quer dizer que os sintomas possam sempre, ou normalmente, ser explicados dessa maneira; é importante lembrar que a tendência de atribuir queixas de mulheres a condições como “histeria” pode ter consequências perigosas).

Impacto positivo

Mas o que não é muito conhecido é que o ciclo menstrual pode afetar o cérebro da mulher também de maneiras positivas.

Certas habilidades, como a noção espacial, melhoram logo depois da menstruação. Três semanas depois, elas estão significativamente melhores na comunicação – e, estranhamente, com mais capacidade de dizer aos outros que sentem medo. Por fim, durante parte do ciclo menstrual, o cérebro delas está inclusive maior. O que está acontecendo?

Em vez de úteros desgarrados, a principal fonte dessas mudanças são os ovários, que liberam estrogênio e progesterona em diferentes quantidades ao longo do mês. Os hormônios têm principalmente a função de engrossar a parede do útero e decidir quando liberar o óvulo. Eles também têm efeitos profundos no cérebro e no comportamento da mulher.

Cientistas têm estudado o ciclo menstrual desde 1930. É um tema de pesquisa surpreendentemente popular. E agora sabemos que ele provoca vários efeitos peculiares, desde influenciar a capacidade de uma mulher de deixar de fumar até os tipos de sonhos que ela tem a cada noite.

Mas essa montanha de conhecimento não nasceu de um fascínio pela biologia feminina. Em vez disso, foi estimulado por um desejo de entender as formas nas quais homens e mulheres são diferentes – e os porquês.

Um exemplo dessa diferença está no cérebro. As diferenças físicas entre os sexos se estendem até esses órgãos enrugados, e cientistas suspeitaram por anos que isso ocorre por conta dos hormônios. “Nós basicamente saltamos sobre essas flutuações naturais de hormônios sexuais”, diz Markus Hausmann, neurocientista da Universidade de Durham, no Reino Unido.

Habilidades sociais

Uma forma na qual mulheres diferem é que elas têm habilidades sociais mais desenvolvidas. Têm mais empatia e teoria da mente – a compreensão de que outros humanos devem ter perspectivas diferentes da nossa. Elas têm melhores habilidades de comunicação. Acredita-se que isso é parte da razão pela qual meninos têm quatro vezes mais chances de serem diagnosticados com autismo; as meninas são melhores em distinguir seus sintomas.

Equilíbrio hormonal

Em 2012, junto a colegas do Centro de Pesquisa de Gerontologia de Baltimore, Maki começou a investigar como a flutuação dos níveis de estrogênio afeta as habilidades das mulheres ao longo do ciclo menstrual. Cada participante foi avaliada duas vezes: uma logo após a menstruação, quando os níveis de estrogênio e progesterona estavam baixos, e outra uma semana após a ovulação, quando esses níveis estavam altos.

Era um estudo pequeno, envolvendo 16 mulheres que tiveram que completar uma série de testes mentais. Mas os achados são impressionantes.

Durante os dias em que as participantes tinham mais hormônios femininos no organismo, elas ficavam piores em itens nos quais homens costumam ser bons (como senso espacial) e muito melhores em características que tendem ser mais pronunciadas em mulheres (como a habilidade de usar novas palavras). Quando os níveis de hormônios estavam baixos, o senso espacial era recuperado.

Uma habilidade que melhorou quando a concentração de hormônios femininos era maior foi a “memória implícita”, que Maki descreve como uma memória inconsciente e sem esforço.

Essas memórias implícitas são importantes para o desenvolvimento das habilidades de comunicação.

O hormônio afeta duas regiões vizinhas do cérebro. A primeira é o hipocampo, responsável por guardar as memórias. Evidências vêm mostrando que essa região é vital para as habilidades sociais, já que lembrar suas próprias experiências pode ajudar a entender as motivações dos outros. A região fica maior a cada mês quando mais hormônios femininos estão fluindo.

A segunda é a amígdala, que ajuda a processar emoções, especialmente o medo e a decisão de “lutar ou correr”. O que intriga é que a amígdala também é crucial para evitar deslizes sociais, porque entender por que a pessoa tem medo – e decidir se deveríamos tê-lo também – requer que olhemos o mundo a partir de sua perspectiva. Quando se tem essa habilidade, é possível usá-la em sua vantagem de outras formas, como fazendo julgamentos morais e contando mentiras.

A habilidade das mulheres de reconhecer medo aumenta juntamente aos níveis de estrogênio.

Poder do cérebro

Mas independente do motivo de sua ocorrência, a transformação mensal do cérebro das mulheres poderia ser uma vantagem.

A razão está em outra grande diferença entre cérebros masculino e feminino. O último tende a ser menos “lateralizado” – em vez de usar um lado do cérebro para completar uma tarefa, como resolver um problema de matemática, mulheres são mais propensas a usar ambos.

A razão pela qual os cérebros das mulheres são assim é um grande mistério.

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