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Entenda câncer de pele agressivo que provocou morte de Roberto Leal

A irradiação ultravioleta do sol é a principal causa do melanoma. (Foto: Reprodução)

O melanoma, causa da morte do cantor português Roberto Leal, é um tipo de câncer de pele menos comum, mas muito agressivo e que, na maioria dos casos, leva à metástase e depois à morte.

Existem dois grandes grupos de câncer de pele, muito diferentes entre si: o primeiro é o carcinoma de pele, que representa cerca de 90% dos casos. Ele aparece em decorrência do sol e tem crescimento local, lento, muito raramente emite metástase e tem muitas opções de resolução. O segundo grupo é o do melanoma, que representa cerca de 7 mil casos por ano, mas dos quais 2 mil, ou 30%, vão levar à morte.

“O motivo da estranheza é: como é que um câncer de pele, uma bobagenzinha que a gente vê, pode matar uma pessoa? É uma doença que teoricamente poderia ser caracterizada muito precocemente. Mas o melanoma é uma lesão de pele cujo maior problema é o aprofundamento. Continua sendo uma pintinha, mas vai penetrando feito uma escavadeira de metrô. Invade vasos linfáticos e vai se veiculando para outros órgãos, mesmo antes de ser uma pinta muito feia. Infelizmente às vezes quando é detectado, já é tarde”, afirma o oncologista do Hospital Israelita Albert Einstein e consultor científico da Clínica de Oncologia Médica, em São Paulo, Artur Malzyner.

A irradiação ultravioleta do sol é a principal causa do melanoma. Há indícios de que seja mais frequente nas áreas do globo onde a insolação é maior e no grupo de risco, pessoas de pele clara e origem europeia.

Um médico treinado, seja dermatologista, oncologista ou clínico-geral, pode identificar se uma pinta é uma lesão suspeita ou não. Por isso, segundo Malzyner, é importante que as pessoas façam revisões periódicas e, se possível, passem pela dermatoscopia, exame que não só detecta a malignidade das pintas, como compara sua evolução ao longo dos anos.

Se o melanoma foi diagnosticado e há metástase detectada ou alto risco de desenvolvê-la, a melhor opção é a imunoterapia.

“Esse tratamento revolucionou o melanoma. Era sistematicamente letal para todos que tinham metástase, mas hoje já se consegue regressão em número expressivo, de 30 a 45% dos casos. Infelizmente não é acessível para todos e menos da metade dos pacientes que vão ter acesso vão ficar bem. Os outros 55 a 70% vão ter evolução do câncer. É uma doença muito agressiva.”

Pintas com nuances e tonalidades diversas dentro dela, que crescem de repente, sangram ou surgem de repente são alvo especial de atenção.