Últimas Notícias > Atividades Empresariais > Jogo entre Inter e Ceará tem desconto na reserva antecipada no Edifício-Garagem do Beira-Rio

Entenda o comportamento da inflação no Brasil

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo deve terminar o ano um pouco acima de 4%, ainda inferior aos 4,5% da meta perseguida pelo Banco Central. (Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil)

A inflação encerrou o primeiro semestre com uma alta forte em junho, um reflexo do impacto da greve dos caminhoneiros, mas o cenário para os índices de preços continua tranquilo. Com a enorme ociosidade na economia, num quadro de desemprego elevado, não há pressões inflacionárias de demanda. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve terminar o ano um pouco acima de 4%, ainda inferior aos 4,5% da meta perseguida pelo Banco Central (BC).

As informações são do jornal Valor Econômico.

No mês passado, o IPCA subiu 1,26%, uma aceleração expressiva em relação ao 0,4% do mês anterior. O desabastecimento causado pela paralisação dos caminhoneiros jogou para cima os preços de alimentos e bebidas, que avançaram 2,03% em junho – em maio, o aumento tinha sido de 0,32%. Altas fortes da gasolina e de energia elétrica residencial também contribuíram para o salto do IPCA no mês passado.

Com isso, o IPCA acumulado em 12 meses passou de 2,85% em maio para 4,39% no mês passado. Esse aumento forte ocorreu porque o indicador havia caído 0,23% em junho de 2017.

O pulo do IPCA em junho, porém, não parece preocupante. Vários alimentos deverão registrar deflação neste mês, por causa da normalização do abastecimento, decorrente do fim da greve. A MCM Consultores Associados, por exemplo, projeta um IPCA de 0,3% em julho, observando que coletas mais recentes de preços mostram que as cotações de alimentos in natura e também de carnes e laticínios começaram a ceder no varejo. O mesmo tem ocorrido com os combustíveis, segundo a consultoria, que prevê um IPCA de 4,1% em 2018.

Em junho, também houve aceleração dos preços de serviços e dos núcleos do IPCA (as medidas que buscam eliminar ou pelo menos reduzir a influência dos itens mais voláteis, fornecendo um retrato mais preciso da trajetória da inflação). No acumulado em 12 meses, contudo, os serviços e os núcleos seguem em níveis bastante confortáveis.

Um caso emblemático é o da inflação subjacente de serviços, que exclui os grupos de serviços domésticos, turismo, cursos e comunicação, concentrando apenas os itens mais sensíveis à atividade econômica e à política monetária. Essa medida subiu de 0,06% em maio para 0,39% em junho, de acordo com a MCM. Em 12 meses, no entanto, a inflação subjacente de serviços caiu de 3,05% para 2,99%, ficando abaixo do piso da banda de tolerância da meta, de 3%.

A alta forte da inflação no mês de junho foi, tudo indica, um fenômeno temporário, que se deveu principalmente aos efeitos negativos da greve dos caminhoneiros. Passado o episódio, não deverá haver um movimento de alta persistente e disseminada dos preços.

Com uma recuperação tão lenta da economia, não existem pressões de demanda para empurrar os preços para cima. A greve dos caminhoneiros, aliás, contribuiu para enfraquecer uma atividade econômica que já mostrava dificuldades para engrenar. O consenso, hoje, aponta para um crescimento na casa de 1,5% neste ano. Com a grande ociosidade existente na economia, não há espaço para aumentos expressivos de preços. Ainda há mais de 13 milhões de desempregados no país, e os empregos criados são em sua maioria precários, sem carteira assinada ou por conta própria.

A desvalorização do câmbio ocorrida ao longo deste ano vai se traduzir em inflação um pouco mais alta, mas não a ponto de fazer o IPCA ficar acima da meta de 4,5%, segundo as estimativas dos analistas. Se o indicador não deve ficar mais na casa de 3,5% em 2018, como se cogitava há alguns meses, tampouco deverá superar o alvo perseguido pela autoridade monetária. Um número um pouco acima de 4% é a aposta predominante hoje no mercado. Segundo o consenso dos analistas ouvidos pelo BC, a previsão é de que o IPCA ficará em 4,17% neste ano e em 4,1% no ano que vem, quando a meta cairá para 4,25%.

Nesse quadro, o BC parece ter espaço para manter a Selic em 6,5% ao ano por bastante tempo. Não há necessidade de elevar os juros num ambiente em que a inflação segue comportada, há grande capacidade ociosa e as expectativas para o IPCA seguem ancoradas. A política monetária pode continuar frouxa por um período prolongado, para estimular uma atividade econômica que reluta em ganhar fôlego.

Deixe seu comentário: