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Entenda a polêmica sobre qual é a capital de Israel

A cidade está sob controle de Israel desde a Guerra dos Seis Dias (1967), mas na prática é dividida entre lado ocidental, que tem maioria judaica e abriga o Parlamento israelense, e oriental, de maioria árabe, reivindicado pelos palestinos. (Foto: Reprodução)

A decisão do governo de Donald Trump de transferir sua embaixada em Israel de Tel Aviv para Jerusalém contraria décadas de entendimento da comunidade internacional, pelo qual a divisão da cidade deveria ser determinada por negociações de paz entre israelenses e palestinos.

Israel proclamou Jerusalém como sua capital eterna e indivisível em 1980, citando raízes espirituais e históricas que vêm desde tempos bíblicos. Depois da diáspora judaica, a cidade ficou sob governo de muçulmanos árabes por 1.300 anos, até o final da 1ª Guerra Mundial e o fim do Império Otomano. De 1923 a 1948, existiu a Palestina do Mandato Britânico, com Jerusalém como capital.

Aliados e rivais dos Estados Unidos criticaram a decisão. Confira dez perguntas sobre Jerusalém e as declarações de Trump:

1) De quem é Jerusalém?

A cidade está sob controle de Israel desde a Guerra dos Seis Dias (1967), mas na prática é dividida entre lado ocidental, que tem maioria judaica e abriga o Parlamento israelense, e oriental, de maioria árabe, reivindicado pelos palestinos (a Autoridade Nacional Palestina está em Ramallah, Cisjordânia).

2) O que se reivindica?

Israel afirma que Jerusalém é sua capital única e indivisível, recorrendo a episódios históricos; os palestinos pleiteiam que Jerusalém Oriental seja a capital de seu futuro Estado, também alegando razões históricas.

3) O que diz o mundo?

A ONU determinou, em 1947, que Jerusalém fosse uma cidade com regime internacional, sem controle exclusivo de judeus, árabes ou cristãos. A maioria dos países hoje apoia a solução de dois Estados, determinada por negociações de paz entre israelenses e palestinos (congeladas desde 2014).

4) O que Trump disse?

Que os EUA reconhecem Jerusalém como a capital de Israel e que mudarão sua Embaixada em Israel, hoje em Tel Aviv, para a cidade em uma data futura.

5) Quando os EUA mudarão a embaixada?

Trump declarou iniciados os preparativos para a mudança, mas ao mesmo tempo assinou um adiamento por seis meses, como têm feito todos os presidentes dos EUA desde Bill Clinton em 1995. Ele não estipulou prazos e pode voltar a adiar o processo.

6) Então o que muda?

Na prática, nada. Trump ressalta que a definição das fronteiras sob soberania israelense deve ser objeto das negociações de paz israelo-palestinas e pede que a cidade fique aberta para “todas as fés”; segundo o premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, o status dos locais sagrados será mantido.

7) Quem tem embaixada em Jerusalém?

Ninguém. Israel é reconhecido pela imensa maioria dos países, e apenas nações muçulmanas do Oriente Médio negam sua legitimidade (as exceções são o Egito e a Jordânia). Por causa da indefinição do status da cidade, porém, todos mantêm suas representações em Tel Aviv.

8) E o processo de paz?

Washington passa a ser visto como ator parcial, favorável aos israelenses, o que dificulta para os palestinos aceitar sua mediação. O alerta foi feito não só por países críticos aos EUA, mas também por governos europeus, a UE e a ONU.

9) Qual o papel dos EUA na negociação?

Os EUA foram o principal mediador do processo de paz desde 1967 -incluindo os acordos de Oslo (1993) e Camp David (2000), o Mapa do Caminho proposto com Rússia, UE e ONU (2003) e as negociações em Annapolis (2007) e Washington (2010).

10) E o pleito palestino?

A reivindicação sobre Jerusalém Oriental como capital de um Estado palestino pode ser mantida, mas há risco de a decisão dos EUA inflamar os muçulmanos na região e provocar uma nova onda de violência.

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