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Organização de direitos humanos aponta abusos em obras da Copa, em um cenário de exploração de trabalhadores nas arenas

Operários trabalham em reforma do estádio de Luzhniki. (Foto: Folhapress)

Relatório divulgado nesta quarta (14) pela HRW (Humans Rights Watch), entidade internacional de pesquisas sobre direitos humanos, apontou práticas abusivas contra trabalhadores envolvidos nas obras de infraestrutura para a Copa do Mundo de 2018, na Rússia.

A conclusão não é novidade para sindicatos que acompanham as construções ou reformas dos 12 estádios a serem usados no torneio.

“O que nós temos observado é que as obras para a Copa do Mundo na Rússia se tornaram uma terra sem lei para a mão de obra envolvida nos estádios”, disse Sharan Burrow, secretária geral da Confederação Internacional da União dos Trabalhadores (ITUC, sigla em inglês). Ela lembra que problemas parecidos acontecem também no Qatar, que será sede do torneio em 2022.

A HRW visitou sete dos 12 estádios entre 2016 e 2017. Segundo o documento, foi encontrado cenário de exploração dos trabalhadores com não pagamento de salários ou atrasos que variavam de três a quatro meses.

Operários eram obrigados a trabalhar a céu aberto sem proteção em temperaturas “perigosamente frias”. Relata omissão das empresas envolvidas nas obras ao não oferecer contratos de trabalhos para os trabalhadores ou outras documentações exigidas por lei.

“A Fifa fez um acordo para que houvesse uma fiscalização das condições de trabalho, mas isso não está acontecendo. Pelo menos não da forma que seria correta”, afirma Albert Emilio Yuson. secretário geral do Sindicato Internacional dos Trabalhadores de Construção e Madeira (BWI, sigla em inglês).

Fiscalização

O acerto feito pela Fifa com o governo russo para monitorar as obras dos estádios foi inédito em Copas do Mundo. Mas de acordo com o relatório produzido pela HRW, não tem sido eficiente.

A entidade de direitos humanos reclama que a Fifa não informou quais providências foram tomadas para melhorar a situação dos trabalhadores e que tipo de violações às leis foram constatadas durante o monitoramento.

O acordo com o governo foi feito quando as obras estavam avançadas e, de acordo com o relatório, as empresas são notificadas com dias de antecedência a respeito da data da fiscalização.

Até o momento, 17 operários morreram em obras para a Copa na Rússia segundo a Humans Rights Watch e a BWI, responsável pelo levantamento das vítimas. O governo russo não confirma.

O documento relata dificuldade em coletar informações e o clima de medo entre os trabalhadores, com ameaças de morte. Policiais detiveram um funcionário da entidade de direitos humanos quando este tentava conversar com trabalhadores fora do canteiro de obras. O relato é que os oficiais o chamaram pelo nome, sugerindo que já era vigiado pelo governo russo.

Em nota divulgada em seu site, a Fifa afirma compartilhar a preocupação com as condições dos trabalhadores e que está indo além do que qualquer outra federação esportiva já fez no assunto. Informa que 58 fiscalizações foram realizadas.

A organizadora da Copa ressalta o sistema “pioneiro” para monitorar e identificar problemas nas condições de trabalho nas obras para o torneio no próximo ano. (Folhapress)

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