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Entidades repudiaram os comentários do vice de Jair Bolsonaro sobre negros e índios

Ex-militar disse que o Brasil herdou "indolência" do indío e "malandragem" do africano. (Foto: EBC)

Entidades reagiram à declaração do general reformado Hamilton Mourão (PRTB), candidato a vice-presidente na chapa de Jair Bolsonaro (PSL) na eleição presidencial de 2018. Durante evento em Caixas do Sul (RS), o ex-militar disse que o Brasil herdou “indolência” da cultura indígena e “malandragem” do africano.

“Essa herança do privilégio é uma herança ibérica. Temos uma certa herança da indolência, que vem da cultura indígena. Eu sou indígena, minha gente. Meu pai é amazonense”, declarou. “E a malandragem é oriunda do africano. Então, esse é o nosso cadinho cultural. Infelizmente, gostamos de mártires, líderes populistas e de macunaímas.”

Por meio de nota, o Cimi (Conselho Indigenista Missionário) manifestou repúdio veemente à declaração do general e frisou que esse tipo de comentário alimenta o racismo. Segundo a entidade, a fala é “injusta, injuriosa e criminosa e deve ser investigada pelo Ministério Público Federal”.

“Tais declarações explicitam profunda ignorância e alimentam o racismo de parcela da sociedade brasileira contra essas populações historicamente injustiçadas e massacradas em nosso país”, sublinhou a entidade.

Também por meio de nota, a ONG Educafro disse estar preocupada com a visão “equivocada” da participação do povo negro na construção do Brasil. Para a direção da entidade, a fala do general Mourão é “ofensiva” à comunidade negra.

Já o presidente da Comissão de Igualdade Racial da OAB-SP (Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo), Cármeno Dora de Freitas, disse que a fala do general caracteriza apologia ao racismo.

Justificativa

Após a repercussão de sua fala, Mourão disse por telefone que foi mal interpretado e que em momento algum fez referência a indígenas e africanos de forma pejorativa. Afirmou, ainda, que não é racista, reforçou sua origem indígena, e disse que “o brasileiro precisa conhecer a sua origem para as coisas boas e não tão boas”.

Em nota divulgada na terça, o candidato a vice-presidente disse que, ao dar a declaração, se baseou em “estudiosos gabaritados da nossa nacionalidade” e que o contexto da fala foi o da suposta herança cultural: “Esse contexto trouxe heranças positivas e negativas, sem distinção de cor e raça, para todos os brasileiros”.

Bolsonaro

Questionado por jornalistas no plenário da Câmara dos Deputados sobre as declarações de Mourão, Jair Bolsonaro afirmou: “A mãe dele [do Mourão] é índia. O que é indolência? Capacidade de perdoar, é isso? Funcionário, vê aí, funcionário, o que é indolência… Aquele que perdoa, não é isso?”.

Indagado sobre a possibilidade de a fala de Mourão prejudicá-lo como candidato a presidente, o polêmico parlamentar e presidenciável declarou: “Eu respondo pelos meus atos e ele responde pelos dele”.

Currículo

Desde 1972 no Exército, Mourão passou à reserva em fevereiro deste ano. No mês seguinte, filiou-se ao PRTB e chegou a ser cogitado como possível candidato à Presidência da República. Logo em seguida, no entanto, sinalizou o seu apoio a Bolsonaro.

Há alguns meses, disse que não se candidataria a nenhum outro cargo público em outubro e, em seguida, foi eleito para comandar, a partir de junho, o Clube Militar, com a promessa de apoiar outros militares que tivessem interesse em disputar as eleições.

“A minha participação é de apoio, de fornecer instrumentos teóricos e práticos, recebendo gente no Clube Militar, gravando vídeos”, descreveu na época. “Seja um apoio direto, na propaganda, ou um apoio indireto, por meio de palestras, ideias, programas que possam constituir um núcleo central de pensamento para os nossos candidatos.”

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