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“Entrei aqui um homem honrado e saio daqui um homem honrado”, disse o ex-governador do Paraná após deixar a prisão

Beto Richa foi liberado na madrugada deste sábado. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O ex-governador do Paraná Beto Richa (PSDB) deixou o Regimento da Polícia Montada, em Curitiba, no início da madrugada de sábado, após quatro dias de prisão. Liberado após uma decisão do ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), o tucano conversou rapidamente com a imprensa. Richa prometeu retomar a campanha ao Senado e questionou a credibilidade do delator Tony Garcia. “Entrei aqui um homem honrado e saio daqui um homem honrado”, ressaltou o ex-governador.

Segundo o Ministério Público, Richa é suspeito de integrar esquema de propina, direcionamento de licitações de empresas, lavagem de dinheiro e obstrução de Justiça. Richa foi preso com outras 14 pessoas na Operação Rádio Patrulha, que apura supostos desvios no programa “Patrulha do Campo”. Entre os detidos estavam a esposa dele, Fernanda Richa, e o irmão Pepe Richa,  que é ex-secretário estadual. Todos foram beneficiados pela decisão de Gilmar Mendes.

O ex-governador falou por dois minutos com a imprensa, mas não respondeu a perguntas.  “O povo do Paraná conhece a minha vida pessoal, política, da minha família, de trabalho por esse estado e todos os paranaeneses. O que fizeram comigo é uma crueldade enorme, não merecia o que aconteceu. Mas, estou de cabeça erguida. Continuo respondendo a todas as acusações sem a menor dificuldade”, disse o tucano.

Ele criticou o empresário Antônio Celso Garcia, o Tony Garcia. “Lamento que a palavra de um delator cujo histórico de vida não demonstra nenhuma credibilidade… Eu pergunto: vale a palavra dele ou a minha?”, questionou. “Estou esgotado e agora vou encontrar a minha família. E volto para minha campanha”, finalizou.

Os advogados do ex-governador pediram ao ministro Gilmar Mendes que ele concedesse habeas corpus por avaliarem que o juiz que determinou a prisão temporária (5 dias) usou a medida como “substitutivo da inconstitucional medida de condução coercitiva” – a condução coercitiva foi proibida pelo STF.

Em decisão de dez páginas, o ministro afirmou que a ordem de prisão “aparenta ser manifestamente inconstitucional e em flagrante violação” com o que foi decidido no caso das conduções coercitivas.

Segundo o ministro, embora não haja previsão legal para o pedido de Richa dentro da ação das conduções, o Código de Processo Penal prevê que os juízes concedam habeas corpus de ofício quando se depararem com ilegalidades.

Operação Lava-Jato

Richa é também investigado pela força-tarefa da Operação Lava-Jato, em sua 53ª fase, chamada de Operação Piloto, por suspeita de irregularidades em contrato de concessão da rodovia PR-323, cuja licitação foi vencida pelo Consórcio Rota das Fronteiras, liderado pela Odebrecht. Delatores da empresa admitiram pagamento de propina para vencer o certame.

No mesmo dia em que Richa foi preso a pedido do Ministério Público do estado, o ex-chefe de gabinete dele, Deonilson Roldo e o empresário Jorge Atherino foram presos preventivamente pela Lava-Jato, acusados de terem usado em benefício próprio propina de R$ 3,5 milhões da Odebrecht. Um dos delatores do caso apontou Beto Richa como sócio oculto de Atherino.

 

 

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