Últimas Notícias > Notícias > Brasil > Ricardo Salles diz que usar recursos do fundo da Petrobras na Amazônia “não é o caminho mais apropriado”

Envolvida em corrupção na Petrobras, a empreiteira OAS acumula novas dívidas e corre o risco de falência

Relatórios da administradora judicial nos autos do processo de recuperação apontam estágio crítico da empreiteira. (Foto: Reprodução de TV)

Em 14 de novembro de 2014, Léo Pinheiro, presidente da OAS, umas das maiores empreiteiras do país, foi preso pela Polícia Federal numa fase da Operação Lava-Jato batizada de “Juízo Final”. Quase cinco anos depois, é a própria empresa que se aproxima de uma situação terminal. O grupo, que naquele ano declarara uma receita bruta de R$ 7,7 bilhões, maior do que a de muitas capitais do País, corre grande risco de entrar em falência, como indicam relatórios entregues à Justiça.

Seguidos alertas sobre a grave situação da OAS têm sido feitos nos últimos meses pela administradora judicial nos autos do processo de recuperação do grupo, aberto em 2015, meses após a prisão do seu principal executivo, o mesmo que delatou Lula no caso do triplex do Guarujá.

Em um dos documentos, do mês de abril, a administradora judicial Alvarez & Marsal, umas das mais importantes do setor, afirma textualmente colocar em dúvida “a capacidade de soerguimento das suas atividades empresariais”.

No último aviso, de junho, declara que a situação de liquidez do grupo está em “estágio crítico” e que tem hoje uma grande dependência de recursos extraordinários, obtidos com a venda de ativos e de antecipação de precatórios, uma vez que a receita proveniente dos canteiros de obras tem sido baixíssima.

Se, à época do pedido de recuperação – quando a OAS ganhou fôlego para tentar se reestruturar e pagar a credores em condições melhores –, a empresa atuava em cerca de 80 obras no País e no exterior, hoje trabalha em cerca de 20. A OAS, segundo a administradora judicial, vem enfrentando dificuldades para pagar fornecedores, funcionários e impostos. Em razão disso, são crescentes os pedidos para que a Justiça decrete a falência da empresa, que, por causa da recuperação judicial, não podem ser analisados.

Há pedidos impetrados pelas mais diversas empresas, entre as quais de produtores de concreto e de plástico e até postos de gasolina. Algumas execuções são por valores inferiores a R$ 15 mil. Diante dos relatórios apresentados pela administradora, o próprio Ministério Público, ao cobrar explicações à OAS, citou a possibilidade de a empresa entrar em falência.

A situação só não é pior porque o grupo repassou para os antigos credores, aqueles que integram o processo de recuperação judicial, suas ações na Invepar, holding de infraestrutura dona da concessão do aeroporto de Guarulhos e do metrô do Rio de Janeiro.

Com isso, a empresa passa por uma circunstância insólita. Nas próximas semanas, a Justiça deve aceitar o pedido de encerramento do processo de recuperação judicial, aberto quando acumulava R$ 8 bilhões em dívidas. Em contrapartida, passará a ficar exposta aos pedidos de falência impetrados pelos novos credores. A Keller Tecnogeo Fundações Ltda., por exemplo, foi contratada pela construtora em 2013 para prestar serviços de engenharia geotécnica nas obras do Rodoanel (SP).

A empresa, que diz ter sido surpreendida pelo pedido de recuperação judicial da OAS, quando tinha cerca de R$ 2,76 milhões a receber, continuou a trabalhar nos canteiros.  “Numa inequívoca demonstração de solidariedade, atendemos a solicitação de manter a prestação dos serviços”, afirmou a Keller no processo.

A OAS nasceu na Bahia, em 1976. César Matta Pires, seu fundador, era genro de Antônio Carlos Magalhães (1927-2007), o ACM, que governou o estado por três vezes e exerceu grande influência na política nacional por décadas. Apelidada pelos adversários de “Obras Arranjadas pelo Sogro”, a OAS chegou a ser considerada a terceira maior empreiteira do país, atrás da Odebrecht e da Andrade Gutierrez.

Atuou em mais de 2.000 obras em 20 países, sobretudo na América Latina e na África. Construiu estradas, barragens, hidrelétricas, portos e aeroportos. Em 2014, tinha 127 mil trabalhadores diretos e indiretos. Hoje, são 19 mil.

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