Últimas Notícias > Notícias > Brasil > Com economia em recuperação, a inflação no País tende a ficar abaixo do esperado, segundo o Comitê de Política Monetária

Eterno parceiro de todos os governos federais, o MDB garante que estará fora a partir do ano que vem

Informação foi confirmada pelo senador Romero Jucá, que não se reelegeu. (Foto: Agência Brasil)

Derrotado nas urnas, o senador por Roraima Romero Jucá, presidente nacional do MDB, anunciou que o partido adotará neutralidade na disputa do segundo turno entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT). No primeiro turno, o partido disputou o Palácio do Planalto com o ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles e o resultado foi apenas 1% dos votos.

Depois de apresentar os argumentos do partido para a neutralidade, Jucá fez um anúncio surpreendente para os padrões da sigla: integrante de todas as bases de sustentação dos presidentes que passaram pela chefia do Executivo federal desde a redemocratização, o MDB estará fora da base parlamentar do próximo governo, seja ele qual for o vencedor desta eleição.

Depois de consultar a maioria da Executiva Nacional e o presidente Michel Temer, Jucá anunciou que o MDB estava “liberando seus membros para votar de acordo com sua consciência e conjuntura estaduais”.

“O MDB sempre esteve atrelado ao governo e agora vamos viver um momento novo, de independência. Não vamos apostar no quanto pior melhor, vamos votar de acordo com o que for melhor para o Brasil”, prometeu.

Na volta ao Senado, após a entrevista coletiva na porta de seu gabinete, Jucá, que não conseguiu renovar o mandato de senador, abraçou-se a assessores. Alguns não esconderam o choro e ele também se emocionou. Em seguida, um desabafo: “Pela primeira vez, não estarei na linha de frente. Foi uma eleição muito dura, afinal perdi por somente 496 votos”.

Conhecido por ter ocupado o cargo de líder no Senado de “todos os governos”, Jucá agora critica a prática de loteamento de cargos na Esplanada por apoio no Congresso Nacional. Segundo ele, isso não deu certo nos dois governos da presidente cassada Dilma Rousseff (2011-2016) e nem na gestão de Michel Temer.

“A prática de construir maioria com ministérios faliu. Eu sempre fui contra o loteamento de cargos. Tem que colocar pessoas preparadas, não discriminando políticos. Não deu certo com Dilma e nem com Temer”, disse Jucá.

Problemas na Justiça

Réu no STF (Supremo Tribunal Federal) pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, Jucá disse que, pessoalmente, também terá de se adequar a uma nova realidade: “A partir de janeiro, quando vence o meu mandato, terei que procurar um trabalho porque, ao contrário do que diz a imprensa, não sou um homem rico, e sim um assalariado”.

Segundo a declaração de bens que encaminhou à Justiça Eleitoral, ele tem hoje um patrimônio total de R$ 194,8 mil em dinheiro vivo e depósitos bancários. Em 2010, quando se elegeu para o mandato atual, o senador declarou patrimônio de R$ 607,9 mil.

Questionado sobre o que vai fazer agora, Jucá disse que vai exercer seu mandato até o dia 31 de janeiro “na plenitude”, depois vai procurar um trabalho, que ainda não sabe qual será. “Vou trabalhar, não sei ainda em quê, afirmou Jucá, lembrando que é economista.

O senador acredita ter cumprido bem a sua parte como líder do governo de Temer, e que entregou o cargo, no mês passado, porque o presidente não aceitou sua proposta para resolver o caos com a entrada descontrolada de venezuelanos, estabelecendo cotas de imigração em Roraima.

“Se eu fosse brincar, diria que não fui eleito porque faltaram 496 votos. Mas o que aconteceu foi um linchamento sem julgamento. Foi determinante a conjuntura grave no Estado, a situação de mau humor do povo com aquela situação”, lamentou.

Apesar da reclamação em relação às propostas para conter a migração, Jucá defendeu o governo Temer. Disse que vai entregar um país melhor do que recebeu, e que caberá ao novo presidente concluir o que ele começou na recuperação econômica.

“O governo Temer vai ser julgado pela história. Sofreu um ataque muito grande do procurador-geral da República Rodrigo Janot, ficou refém, emparedado. Minha parte eu cumpri bem. Apesar do ataque de Janot, conseguimos tirar o Brasil da crise. Cabe ao novo presidente completar o que Temer começou”, prosseguiu.

Sobre a possibilidade de os senadores eleitos – como Renan Calheiros (AL), Eduardo Braga (AM) e outros que ainda tem mandato –  o afastarem do comando do partido junto com os ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco, sem mandatos, Jucá disse que isso só será discutido em março, quando acontecerá a convenção nacional do MDB.

“Temos que estar unidos a partir dessa nova realidade de muita dificuldade que vamos enfrentar. Temos três governadores, a vida não acaba em outubro. Seremos independentes, pesou a nova realidade”, finalizou.

 

Deixe seu comentário: