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Ex-advogado do deputado cassado Eduardo Cunha virou “eminência parda” do governo Temer e tem causado incômodo em colegas

Gustavo do Vale Rocha é o atual ministro dos Direitos Humanos e chefe de Assuntos Jurídicos da Casa Civil. (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)

A influência cada vez maior de Gustavo do Vale Rocha no governo Michel Temer tem causado desconforto nos demais auxiliares do presidente da República. Nos bastidores, o advogado já é conhecido como “eminência parda”, em uma referência ao poder que acumulou nos últimos dois anos.

Ex-advogado do deputado federal cassado Eduardo Cunha (MDB-RJ), Rocha é o atual ministro dos Direitos Humanos e acumula a função de subchefe de Assuntos Jurídicos da Casa Civil. Um dos principais auxiliares de Eliseu Padilha (ministro da Casa Civil), o advogado também ocupa uma vaga no CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público), indicado por Temer.

Nos bastidores, Rocha hoje é apontado pelos colegas como alguém com influência em praticamente todos os ministérios. Segundo relatos, ele tem pessoas de confiança em cargos jurídicos de várias pastas estratégicas.

No Palácio do Planalto, o ministro tem sido visto com frequência, cada vez maior, no gabinete do próprio presidente Michel Temer. “O perfil jurídico e a disposição para auxiliar em qualquer momento colocaram Rocha em posição de destaque”, avaliou um ministro.

Atuação

Rocha entrou no núcleo duro do MDB pelas mãos de Eduardo Cunha, que se encantou com a disposição do jovem advogado para atuar em favor dos seus interesses. Cunha foi condenado a 15 anos de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro na Operação Lava-Jato. O deputado cassado está preso desde outubro de 2016. Ex-presidente da Câmara dos Deputados, ele foi um dos principais articuladores do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

Antes de virar ministro dos Direitos Humanos, no lugar de Luislinda Valois, Rocha iniciou uma articulação para assumir o Ministério da Justiça ou a AGU (Advocacia-Geral da União).

No início do ano passado, quando o então ministro da Justiça Alexandre de Moraes foi indicado para a vaga no STF (Supremo Tribunal Federal), Rocha tentou mobilizar a bancada do MDB para assumir a pasta. Na ocasião, o próprio Temer descartou Rocha, pois ele “apanharia muito” pelo fato de ter prestado serviço como advogado para Cunha. Na ocasião, a avaliação de Temer era de que seria ruim tanto para Rocha quanto para o governo.

Mas, desde então, muita coisa mudou. E o espaço de Rocha só cresceu. Ele foi um dos articuladores do polêmico indulto de Natal assinado por Temer em dezembro. No início do ano, Rocha foi pivô de outra polêmica. Atou no que seria atribuição da Advocacia-Geral da União, quando defendeu que o governo federal entrasse com recurso no STJ (Superior Tribunal de Justiça) para tentar garantir a posse da deputada Cristiane Brasil no Ministério do Trabalho.

O movimento de Rocha foi visto como uma tentativa de desestabilizar a ministra da AGU, Grace Mendonça, o que foi mal recebido entre ministros do Supremo.

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