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Ex-governador do Mato Grosso acusa o ministro da Agricultura de pagar para testemunha mudar o seu depoimento

Ministro Blairo Maggi lamentou ataques à sua reputação e afirmou que está com a consciência tranquila. (Foto: Lula Marques/AGPT)

O ex-governador de Mato Grosso Silval Barbosa (PMDB) acusou o também ex-governador e atual ministro da Agricultura, Blairo Maggi (PP), de participar de um esquema de corrupção no estado. A delação premiada de Silval Barbosa foi homologada pelo STF (Supremo Tribunal Federal) na quarta-feira.

O ex-governador revelou à Procuradoria Geral da República como funcionava um esquema de corrupção no Estado. Barbosa foi vice-governador à época em que Maggi governava o Estado, entre 2003 e 2010. Depois, em 2011, foi eleito para suceder o atual ministro da Agricultura.
Entre as acusações contra Blairo Maggi, o peemedebista afirmou que o ministro fez pagamento ao ex-secretário de Fazenda de Mato Grosso Eder Moraes, para que ele mudasse um depoimento a fim de inocentar Blairo.

Em nota, o ministro Blairo Maggi afirmou, por meio de sua assessoria, que nunca agiu ou autorizou ninguém a agir de forma ilícita dentro do governo ou para obstruir a justiça. Afirmou, ainda, que não fez e nem autorizou pagamentos a Eder Moraes.

Blairo disse também que jamais autorizou meios ilícitos na sua vida pública ou em suas empresas. Ele lamentou ataques à sua reputação e afirmou que está com a consciência tranquila sobre suas ações.
Aos procuradores, Silval Barbosa disse que primeiro, Moraes denunciou ao Ministério Público que os dois ex-governadores sabiam de compra de vagas no Tribunal de Contas do Estado. E que ele, Éder, queria assumir uma delas.

Na delação, Silval disse que, depois deste depoimento, o ex-secretário de Fazenda os procurou e pediu 12 milhões de reais para voltar atrás no que havia dito ao Ministério Público.
Segundo o ex-governador, tanto ele quanto Maggi aceitaram pagar para que ele mudasse o depoimento, mas que o valor seria menor, de 6 milhões de reais – 3 milhões de reais para cada um.

DELAÇÃO

Silval Barbosa narrou na delação que a parte de Blairo Maggi foi entregue ao ex-secretário por uma pessoa chamada Gustavo Capilé, ligado ao ministro. Disse ainda que o próprio Blairo confirmou que o pagamento foi feito em dinheiro vivo, entre 2014 e 2015.

O delator confessou também que a sua parte do pagamento também foi entregue a Moraes. O repasse foi feito, segundo Silval, em duas parcelas: a primeira, em dinheiro vivo, teria sido levada pelo então chefe de gabinete dele, Sílvio Cesar Corrêa Araújo. A segunda parte, de acordo com Barbosa, foi paga mediante a quitação de uma dívida de Eder, de 800 mil reais.

A defesa de Silval Barbosa não quis comentar o teor da delação. A defesa de Sílvio Cesar Corrêa Araújo afirmou que ele tinha uma relação muito próxima a Silval e que apenas cumpria ordens.

Em nota, Éder de Moraes disse que desconhece o conteúdo da delação de Silval e que “nunca recebeu qualquer tipo de valor para mudar de depoimento”. (AG)

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