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Mundo Ex-prefeita da capital do Peru é presa no caso Odebrecht

A ex-prefeita de Lima Susana Villarán. (Foto: Reprodução/Twitter)

Um juiz determinou nesta terça-feira (14) que a ex-prefeita de Lima Susana Villarán fique presa preventivamente por 18 meses em conexão com um esquema de subornos envolvendo as construtoras brasileiras Odebrecht e OAS no Peru.

O juiz Jorge Chávez disse que Villarán poderia tentar obstruir as investigações a menos que fosse detida antes de seu julgamento, apesar de suas promessas de cooperação com as autoridades.

“Não sou do tipo de gente que foge da justiça”, afirmou Villarán.

No Peru, suspeitos podem ser detidos preventivamente por até três anos antes de um julgamento.

Desde 2016, quando a Odebrecht admitiu publicamente ter subornado autoridades em vários países da América Latina e da África, quatro ex-presidentes peruanos foram detidos preventiva ou temporariamente.

No mês passado, o ex-presidente Alan García se matou quando autoridades chegaram à sua casa para detê-lo.

Villarán é acusada de ter recebido dinheiro das duas construtoras para financiar suas campanhas eleitorais e de tê-las favorecido depois de eleita.

A ex-prefeita admitiu ter recebido fundos das empresas, mas negou que fossem subornos.

Villarán se tornou a primeira mulher a governar Lima e a primeira esquerdista em décadas a governar a capital quando foi eleita em 2010.

Odebrecht no México

O procurador-geral do México, Alejandro Gertz Manero, renderia um personagem em um filme de Pedro Almodóvar. Ele é um jurista octogenário, piloto, produtor de teatro e neto de um cônsul do Império Austro-Húngaro. Politicamente, também já foi tudo: de chefe da primeira operação patrocinada pelos EUA contra o tráfico no México, nos anos 70, a secretário de Segurança Pública do governo de centro-direita de Vicente Fox, nos anos 2000.

Em sua mais recente encarnação, foi escolhido, em janeiro, pelo presidente de centro-esquerda Andrés Manuel López Obrador, conhecido como AMLO, para comandar a Procuradoria-Geral.

Recentemente a agência Reuters noticiou que Gertz Manero enviou ao ministro da Justiça do Brasil, Sérgio Moro, um pedido de ajuda para investigar o capítulo mexicano da telenovela da Odebrecht.

Enquanto circulava a mensagem por Brasília, Gertz Manero anunciou que apresentará em 60 dias seu caso contra a construtora. “Vamos pisar no rabo de muitos ratos e eles vão dar gritos horrorosos”, proclamou. Antes, a Odebrecht havia sido proibida de ter contratos públicos no México.

Mas há bons motivos para duvidar do procurador.

Ainda que em graus diferentes, as confissões da Odebrecht derrubaram gente graúda da política e do mundo empresarial no Brasil, Peru e Colômbia. No México, silêncio. Nenhuma autoridade foi presa, nem mesmo seriamente investigada.

A Odebrecht diz ter pago US$ 10,5 milhões em propinas por lá, de olho na estatal Petróleos Mexicanos (Pemex). Emilio Lozoya, que a presidiu de 2012 a 2016, teria sido o principal destinatário do dinheiro.

Antes da Pemex, Lozoya fora um dos chefes da campanha presidencial de Enrique Peña Nieto, do Partido Revolucionário Institucional (PRI), e a propina teria começado durante a disputa. No primeiro ano do novo governo, a Pemex deu a uma joint-venture da Odebrecht a construção de uma refinaria no estado de Hidalgo.

A procuradoria mexicana opera sob forte influência política e o governo Peña Nieto travou a investigação. Antecessores de Gertz Manero firmaram um acordo com o Ministério Público Federal brasileiro e dois deles anunciaram que levariam “em breve” o caso à justiça. Nunca o fizeram.

De volta a 2019, AMLO se elegeu e começou a governar com o mote de “acabar com o pacto de corruptos”. Por enquanto, deu muito certo. Ele se tornou presidente, fez maioria no Congresso e viu sua popularidade ir de 60% a 80% em quatro meses de governo.

Até agora, sua luta contra a corrupção se resumiu a medidas caricatas, como ele próprio viajar de avião em classe econômica, e ao contrassenso de reduzir salários do funcionalismo público. Permitir que se investigue para valer a classe política e o setor privado seriam outros quinhentos —os quais provavelmente fariam parte do PRI e outros grupos poderosos declararem guerra ao governo.

Mais ainda, o avanço do inquérito faria o México entrar em um período de alta instabilidade política, vide Brasil e Peru. Essa volatilidade ameaçaria a real agenda de AMLO, centrada em programas de assistência social, segurança, educação e política energética.

A investigação mexicana é refém do cálculo político. E, por enquanto, ele ainda favorece a impunidade.

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