Segunda-feira, 09 de Dezembro de 2019

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Brasil Ex-presidente do Paraguai deu R$ 500 mil para ajudar doleiro foragido

Doleiro disse que pagava propina mensal ao procurador Januário Paludo. (Foto: Reprodução)

Doleiro dos doleiros, Dario Messer pediu meio milhão de dólares em julho de 2018 ao então presidente do Paraguai, Horacio Cartes, para manter-se foragido das autoridades paraguaias e brasileiras. A força-tarefa da Operação Lava-Jato afirma que a quantia foi paga por Cartes via intermediários.

Cartes é um dos nove procurados fora do País pela Operação Patrón, deflagrada nesta terça-feira (19). Onze pessoas foram presas, como a namorada de Messer, Myra Athayde, e o dono do principal shopping paraguaio na fronteira com o Brasil, o empresário Felipe Cogorno Álvares. Não se sabe onde Horacio Cartes está. O pedido dos US$ 500 mil está descrito na denúncia feita pelo MPF (Ministério Público Federal). Messer está preso desde o fim de julho.

A decisão é do juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal fluminense, que determinou a inclusão do nome de Cartes na Difusão Vermelha da Interpol – a lista de procurados distribuída em aeroportos do mundo todo.

“Sendo senador com ou sem direito a voto, [Cartes] não tem direito a foro privilegiado. Atuou aqui financiando uma organização criminosa. Não foi ajuda a um amigo, foi financiamento de um comparsa de organização criminosa”, afirmou José Augusto Vagos, procurador regional da República. A decisão diz que, em junho de 2018, quando estava foragido, Messer mandou uma carta ao ex-presidente do Paraguai pedindo US$ 500 mil para cobrir gastos jurídicos.

O MPF afirma que os negócios de Horacio e Dario envolveriam lavagem de dinheiro do tráfico de drogas na tríplice fronteira e “seriam monitorados há duas décadas a partir de Assunção e de Cidade do Leste, na divisa de Brasil, Paraguai e Argentina, por diferentes agências americanas”.

Uma das etapas da fuga pelo Paraguai foi em endereços da família Mota, que também “teriam ligação com negócios que passam por contrabando de cigarros, tráfico de drogas e armas”, segundo os promotores.

Relação antiga

A força-tarefa da Lava-Jato afirma que Dario Messer é amigo de longa data de Horacio Cartes.  “O relacionamento da família Messer com a família Cartes se iniciou na década de 80, quando Dario fundou a Cambios Amambay SRL – atual Banco Basa –, tendo como acionista majoritário o pai do ex-presidente”, escreveu Bretas na decisão.

Ainda segundo o MP (Ministério Público) e a PF (Polícia Federal), na década de 90, Horacio e Dario adquiriram uma fazenda juntos. Em 2016, em um evento público, Horacio – já como presidente – declarou que Dario seria seu “irmão de alma” (“hermano de alma”).

Segundo imagens colhidas no celular de Dario em junho de 2018 – logo após a deflagração da Operação Câmbio Desligo –, o “doleiro dos doleiros” encaminhou uma carta para o “Patrão” solicitando US$ 500 mil para seus gastos iniciais jurídicos, que deveriam ser entregues a Roque.

O MP afirma que “Patrão” é Horacio Cartes. “A carta de fato foi entregue e Roque passou a ser intermediário entre Horacio e Dario”, detalha Bretas. Nos diálogos, Roque informa que o melhor período, indicado por Horacio, para Dario se entregar às autoridades paraguaias seria após 15 de agosto, quando encerraria o mandato de Horacio.

Já em março de 2019, em conversa com a advogada, Dario assinala que Julio, seu irmão que mora em Nova York, conseguiu falar com seu “hermano de alma” e que as coisas iam ficar mais calmas.

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