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FBI investiga se empresas multinacionais pagaram suborno a autoridades no Brasil

Suspeita é de que as empresas tenham feito pagamentos ilegais. (Foto: Marcos Santos/USP Imagens)

O FBI está investigando as gigantes Johnson & Johnson, Siemens, General Electric e Philips por suposto pagamento de suborno como parte de um esquema envolvendo a venda de equipamentos médicos no Brasil, disseram duas autoridades envolvidas na investigação brasileira à Reuters.

Procuradores do Ministério Público Federal suspeitam que as empresas tenham feito pagamentos ilegais a autoridades para garantir contratos na área de saúde pública no País ao longo das últimas duas décadas.

Autoridades brasileiras dizem que mais de 20 empresas podem ter participado de um “cartel” que pagava propinas e cobrava preços inflacionados por equipamentos médicos, como máquinas de ressonância magnética e próteses.

As quatro multinacionais, que juntas têm valor de mercado de quase US$ 600 bilhões, são as maiores empresas estrangeiras a ser investigadas no âmbito das operações anticorrupção deflagradas no Brasil nos últimos anos.

Grandes empresas americanas e europeias que tenham envolvimento comprovado em irregularidades no Brasil também podem enfrentar multas pesadas e outras punições, de acordo com a Lei de Práticas Corruptas no Exterior dos Estados Unidos (FCPA). Desde 1977, a lei tornou ilegal que cidadãos e empresas americanas ou empresas estrangeiras que tenham ações listadas nos EUA paguem autoridades estrangeiras para fechar negócios.

As investigações abrangentes dos procuradores e da Polícia Federal — entre elas a operação Lava Jato, centrada na Petrobras — derrubaram líderes políticos e empresariais em toda a América Latina.

Autoridades dizem que acordos de delação feitos com suspeitos indicaram outros esquemas possíveis, incluindo supostas propinas pagas por multinacionais para obter contratos públicos no Brasil.

A procuradora federal Marisa Ferrari confirmou à Reuters que autoridades do Departamento de Justiça dos EUA e da SEC, órgão que regula o mercado de capitais americano, estão auxiliando a investigação brasileira sobre equipamentos médicos. Ela não quis identificar que empresas estão sob investigação.

Duas autoridades envolvidas nas investigações confirmaram à Reuters que Johnson & Johnson, Siemens, General Electric e Koninklijke Philips estão na mira do FBI.

O FBI não confirmou nem negou a existência de qualquer investigação. A SEC não quis comentar o assunto.

A GE não quis comentar qualquer investigação relacionada ao seu negócio no Brasil. “Estamos comprometidos com a integridade, a conformidade e o Estado de Direito no Brasil e em todo país em que fazemos negócios”, afirmou, por e-mail.

A Siemens disse que “não está ciente de nenhuma investigação do FBI sobre a companhia relacionada a uma atividade de cartel no Brasil” e que sua política é de sempre cooperar com investigações das forças da lei.

A Philips confirmou, em e-mail, que está sendo investigada no Brasil. Em seu relatório anual de 2018, a empresa reconheceu que “também recebeu indagações de certas autoridades dos EUA a respeito desta questão”. Em resposta à Reuters, a Philips disse que “não é incomum autoridades dos EUA mostrarem interesse nestas questões, e que é cedo demais para chegar a qualquer conclusão”.

A Johnson & Johnson disse que o Departamento de Justiça e a SEC “fizeram indagações preliminares à companhia” relacionadas a uma operação da Polícia Federal brasileira sobre seus escritórios em São Paulo no ano passado e que está cooperando.

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