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Fiador de Bolsonaro, Sérgio Moro não deve esperar muita solidariedade do chefe

O ex-juiz Moro (foto) condenou o ex-presidente Lula em primeira instância. (Foto: Isaac Amorim/MJ-SP)

Mais do que ministro, Sérgio Moro foi convidado para ser avalista e fiador do governo Jair Bolsonaro. Sua indicação foi vista como uma blindagem para que denúncias de corrupção contra o governo não colassem tão facilmente. E elas viriam, como vieram, na forma de um Queiroz, em uma Belina marrom 1986, fazendo turismo, no meio de um frondoso laranjal, plantado entre prédios da Barra da Tijuca.

Uma troca: Moro usaria o cargo para preparar saltos ao Supremo Tribunal Federal ou ao próprio Palácio do Planalto, enquanto seria usado para “lavagem de marca”, com Bolsonaro repetindo que a corrupção está sendo mantida longe pelo ex-juiz, que para ele trabalha. Peça-chave da Operação Lava-Jato, Moro aceitou o convite parecendo um “jovem universitário recebendo seu diploma”, nas palavras do próprio Bolsonaro em novembro do ano passado.

A jogada parecia de mestre. Mas, desde que assumiu, o ex-juiz flexibilizou sua opinião sobre a gravidade do crime de “caixa 2”, indo contra o que havia dito antes, ao aceitar o perdão do outrora deputado federal e agora ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, diante de “sincero” arrependimento. E levou vários passa-moleques de Bolsonaro, que tem feito questão de mostrar que a “carta branca” que prometeu a Moro funciona se seguir a sua cartilha.

Na prática, ele não tem a liberdade nem para indicar uma suplente de conselho sem a anuência do chefe e de sua militância nas redes sociais, como foi o caso de Ilona Szabó. E é consultado na última hora em decretos que liberam o bang-bang nas ruas e estradas de terra do País. Nada que gere ruído da pasta da Justiça passa sem o amém do Planalto. O que mostra que Bolsonaro precisa de Moro, mas não o respeita o suficiente.

Agora, as revelações do site Intercept mostram o ex-juiz federal orientando procuradores da operação Lava-Jato, o que contraria a premissa de que um magistrado deve ter isenção e distanciamento. Claro que a parcela da população que não se importa com a separação entre acusador e julgador, desde que seus inimigos sejam punidos, não vê problema algum nas conversas trazidas pelas reportagens. Contudo, quem teme pela integridade das instituições está de cabelo em pé.

A depender do que aconteça, incluindo novas revelações trazidas pelo Intercept, condenados podem ser liberados, o que inclui uma lista longa – de Lula a Eduardo Cunha. A culpa por isso não é do mensageiro, ou seja, da imprensa, mas de quem julgou de forma enviesada. As informações são de Leonardo Sakamoto, do Blog do Sakamoto.