Flávio Pereira


Marco regulatório ainda inibe investimentos no país.




O desafio da falta de regramento legal para muitas atividades foi mencionado ontem pelo presidente da Aracruz Celulose, Carlos Aguiar, como inibidor de maiores investimentos nos últimos anos no país.



Carlos Aguiar foi uma das estrelas do ato que marcou ontem o histórico lançamento da pedra fundamental das obras da Aracruz Celulose em Guaíba, um investimento de 4,9 bilhões de reais, acompanhado de ampliação da base florestal e do sistema logístico da empresa. Recordou que “quando aqui chegamos não havia um regramento legal para plantio de florestas comerciais, e o sistema existente era ainda bastante precário”. Depois do processo de discussão com a sociedade, hoje, embora exista no Rio Grande do Sul um dos mais restritivos processos de licenciamento ambiental para a silvicultura, comparativamente a outros Estados, o dirigente da Aracruz Celulose observou que “graças à determinação da governadora e da sua equipe de governo temos hoje instrumentos legais para regular esta importante atividade agrícola”.

Marco regulatório
Carlos Aguiar põe o dedo na ferida de um país que precisa crescer na mesma velocidade em que precisa criar renda e emprego para uma população que não pára de crescer: “Nosso país carece ainda de marcos regulatórios que ofereçam garantias aos investidores, de que suas pesquisas, suas propriedades ou suas instalações não serão invadidas ou destruídas”. O pronunciamento do dirigente foi ouvido com atenção por representantes de praticamente todos os partidos. Ali estavam o presidente da Assembléia, Alceu Moreira (PMDB), e, dentre outros, os deputados Raul Carrion (PCdoB), Adão Villaverde (PT) e Marchezan Jr. (PSDB).

ONGs e interesses comerciais
A concorrência internacional no setor de papel e celulose torna o Brasil, pelas suas peculiaridades, “uma ilha de excelência” que tem, inclusive, determinado o fechamento de plantas industriais do setor em países da Europa. Este fato, segundo Aguiar, talvez explique “a luta feroz que organizações internacionais travam contra empresas brasileiras, especialmente contra a Aracruz Celulose, que é líder mundial neste segmento de eucalipto”.

O estilo Wenzel
Deputados estaduais – seja da base aliada ou nem tanto – têm revelado a esta coluna a surpresa que encontraram no gabinete da Casa Civil da Governadora. Acostumados com os antecessores do secretário, com os quais precisavam marcar com penosa antecedência preciosas audiências, resolveram testar o recado da assessoria do secretário Wenzel de que o acesso dos deputados ao seu gabinete, a partir de agora, seria direto. Pelo menos dois deputados da base aliada confirmaram à coluna que “agora, deputado é tratado como deputado na Casa Civil”.


Árvores e história
Ao lembrar que há algum tempo o prefeito de Guaíba, Manoel Stringhini (PMDB), ao mostrar-lhe o restaurado museu da cidade, que já foi casa de líderes históricos, apontara um cipreste existente no local dizendo que “este é o único ser vivo capaz de contar a história que nesta casa se desenrolou”, a governadora Yeda Crusius disse ontem, na solenidade de lançamento da pedra fundamental da Aracruz Celulose, que “eu quero que cada árvore plantada pela Aracruz nos ajude a ser o registro vivo de toda uma história que a partir de hoje começamos a construir”.

Trabalhismo forte
em Rosário do Sul
Um exame das três candidaturas à prefeitura de Rosário do Sul demonstra a força e a tradição do PDT na cidade. Os três candidatos, Glei Cabrera Menezes (PDT), José Luiz Rossignolo (PTB) e Ney da Silva Padilha (atualmente no PTB), já foram eleitos para a prefeitura, todos pelo PDT. Rossignolo e Ney deixaram o partido. Dos três, apenas Glei Cabrera Menezes se mantém no PDT desde o primeiro mandato. E, coincidentemente, dos três, Glei é o único que, como prefeito, conseguiu fazer o sucessor em Rosário do Sul.




Obras do Fórum Democrático
não serão pagas por Pavan

A imprensa da Assembléia Legislativa, chefiada pelo experiente jornalista Carlos Bastos, encaminha a esta coluna uma segunda resposta à nota publicada aqui, na edição de terça-feira: “Em primeiro lugar, quero agradecer a acolhida que destes à nota enviada por nós, respondendo a notícia sobre a AL que publicaste na terça-feira. Gostaria, em segundo lugar, de te passar mais uma informação: as obras que vierem a ser feitas para abrigar o Fórum Democrático serão todas com recursos do orçamento deste ano, ou seja, por esta e não pela próxima gestão do deputado Ivar Pavan, como te pareceu num primeiro momento”.




Notícias do Jornal O Sul do Dia 28/08/2008