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Fui achacado por políticos e fiz tratos com ministros do Superior Tribunal de Justiça, diz o ex-governador do Rio Sérgio Cabral

Sem mencionar nomes, o ex-governador citou os casos ao afirmar que a propina que recebia deixou de ser enviada ao exterior em 2012 para ser distribuída no País. (Foto: Agência Brasil)

O ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (MDB) disse que foi “achacado” por deputados federais e senadores, além de feito “tratos” com ministros do STJ (Superior Tribunal de Justiça) e TCU (Tribunal de Contas da União). Sem mencionar nomes, o ex-governador citou os casos ao afirmar que a propina que recebia deixou de ser enviada ao exterior em 2012 para ser distribuída no País.

Foi naquele que Cabral começou a sofrer uma dura crise política após a divulgação das fotos do episódio conhecido como “farra dos guardanapos”, em que confraterniza com empresários e ex-secretários em Paris. “O dinheiro a partir de 2012 deixa de ir para o exterior e passa a ser usado aqui. Fui achacado por parlamentares federais, tive que fazer tratos com ministros do STJ e TCU”, afirmou o emedebista, que não mencionou o caso da “farra”.

O emedebista afirmou também que teve “que atender presidente da República para beneficiar certas pessoas”. Ele não especificou a qual presidente se referia. Ele mencionou no depoimento o ministro Marco Aurélio Belizze, do STJ. Afirmou que atuou para garantir sua nomeação por pressão – ”e até ameaça” – do ex-secretário Régis Fichtner, cunhado do magistrado.

Esta indicação contrariou a ex-primeira-dama Adriana Ancelmo, que havia indicado seu sócio Rodrigo Cândido de Oliveira. Os dois não disputaram diretamente pela mesma vaga, já que Belizze entraria como magistrado e Oliveira, no quinto constitucional reservado a advogados. Contudo, a nomeação do sócio de Adriana inviabilizaria o atual ministro, já que havia apenas uma vaga disponível sob influência de Cabral.

“Liguei para a presidente Dilma [Rousseff], e ela até disse que estava com o papel na mesa dela para assinar. Tive que fazer esse papelão de barrar o sócio da minha esposa para atender o Régis”, disse Cabral. No lugar de Oliveira, foi nomeado o ministro Sebastião Reis Júnior em junho de 2011. Belizze ascendeu ao tribunal em agosto do mesmo ano.

Fichtner já foi preso duas vezes e responde a duas ações penais sob acusação de receber uma mesada de R$ 150 mil do esquema de Cabral. O ex-governador, em seus depoimentos, tem afirmado que o ex-secretário tinha participação central no esquema. Cabral é interrogado na ação penal referente à Operação Ponto Final, que trata de denúncia de pagamento de propina paga por empresários de ônibus. Ele disse ainda que ajudou o deputado Aécio Neves em sua campanha presidencial em 2014 com R$ 3 milhões via caixa dois. O dinheiro foi repassado pelo empresário José Carlos Lavouras e a OAS.

Preso desde novembro de 2016, o ex-governador decidiu no início do ano confessar os crimes que cometeu ao longo de toda vida pública. Ele não tem acordo de delação premiada firmado. A estratégia da defesa de Cabral é reduzir as penas do ex-governador, alvo de 30 ações penais e que já acumula nove condenações e quase 200 anos de pena.

O objetivo é que as confissões abram espaço para uma negociação de acordo para delação. Atualmente, procuradores ainda resistem em fechar um acordo com benefício para o emedebista. Sem delação assinada, Cabral não tem o compromisso de falar a verdade diante do juiz.

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