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Funcionários do Google fazem greve sem precedentes contra o assédio sexual na empresa

Funcionários da Google em Zurique cruzaram os braços contra o assédio sexual. (Foto: Reprodução/Twitter)

Funcionários da Google espalhados pelo mundo realizaram nesta quinta-feira uma greve sem precedentes, contra o assédio sexual e o tratamento desigual dado às mulheres e outras minorias. Pelo Twitter, os organizadores do movimento divulgaram imagens de equipes paradas, nas ruas ou nos escritórios, em várias cidades, como Londres, Dublin, Zurique, Berlim, Tóquio e Haifa.

O movimento apresentou uma pauta com cinco pontos: fim da arbitragem forçada em casos de assédio ou discriminação para os atuais e futuros funcionários; compromisso de acabar com a desigualdade nos salários e nas oportunidades; divulgação de relatórios de transparência sobre casos de assédio sexual; criação de um mecanismo claro, uniforme e global para o relato de casos de assédio, de forma segura e anônima; e a elevação do diretor de diversidade para que ele responda diretamente ao diretor executivo e faça recomendações ao conselho diretor, além da abertura de uma cadeira para os funcionários no conselho.

A greve começou em Tóquio e em Cingapura. Um grande número de funcionários em Zurique, na Suíça, também aderiu, e muitas fotos foram postadas no Twitter.

A equipe do Google também cruzou os braços nos escritórios de Londres, na Inglaterra, e Dublin, na Irlanda.

Os funcionários foram estimulados a colocar em sua mesa, nesta quinta, uma plaquinha com a seguinte mensagem, distribuída pelos organizadores da greve: “Eu não estou na minha mesa porque estou em greve em solidariedade a outros googlers e contratados, protestando contra o assédio sexual, a má conduta, a falta de transparência e uma cultura que não está funcionando para todo mundo em ambiente de trabalho”.

O diretor executivo da Google, Sundar Pichai afirmou, nesta quinta-feira, durante a conferência Deal Book, que vai apoiar as mulheres.

“Quero demonstrar meu apreço às mulheres que se manifestaram para se defender. Nós queremos apoiá-las”, disse Pichai.

Antes disso, em um e-mail enviado aos funcionários na quarta-feira, Pichai não havia se colocado contra a greve e disse compreender “a raiva e a decepção” da equipe. No comunicado, Pichai informou que as equipes de recursos humanos iriam garantir que “os gerentes estejam cientes das atividades planejadas para quinta-feira para que os funcionários tenham todo o apoio necessário”.

“Eu também sinto isso e estou totalmente comprometido em realizar progressos numa questão que persistiu por muito tempo em nossa sociedade. E, sim, aqui na Google também”, afirmou Pichai.

O descontentamento começou na semana passada, após o “New York Times” revelar que o executivo por trás do sistema operacional Android, Andy Rubin, recebeu pagamento de US$ 90 milhões após deixar a companhia , apesar de uma investigação interna considerar “verossímil” uma acusação de assédio sexual apresentada contra ele.

Em resposta às críticas, a companhia encaminhou um comunicado aos funcionários, destacando as ações tomadas para conter o assédio sexual, que incluíram a demissão de 48 funcionários. Mas nesta semana, o jornal americano divulgou que Richard DeVaul, diretor da Google X, também foi envolvido num caso de má conduta sexual e continuava no cargo. Na terça-feira, ele pediu demissão, sem receber pagamentos extras.

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