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Genro de Emilio Odebrecht e cunhado de Marcelo foi preso pela Polícia Federal

Maurício Ferro é um dos poucos executivos do alto escalão da empreiteira a não ter feito delação. (Fotos: Reprodução de internet)

Principal alvo da 63ª fase da Operação Lava-Jato desta quarta-feira (21), Maurício Ferro é um dos poucos executivos do alto escalão da empreiteira a não ter feito delação, um dos motivos pelos quais virou inimigo de Marcelo Odebrecht, que não poupou esforços para prejudicar o cunhado durante as investigações contra a empreiteira. Desde que passou a colaborar com as autoridades, Marcelo tentou envolver Ferro ao entregar e-mails com supostos crimes do executivo.

Marcelo também acusou o cunhado de ter participado do processo que resultou na edição de uma medida provisória pelo governo Lula, em 2009, em troca de doação de R$ 50 milhões para o caixa dois do PT.

Genro de Emilio Odebrecht, casado com sua filha Monica, Ferro pediu para deixar o cargo de vice-presidente jurídico do grupo em agosto do ano passado após se tornar réu por suspeita de corrupção. A investida contra ele por parte de Marcelo causou desgosto ao patriarca da família e esfriou ainda mais a relação entre pai e filho que já não era boa.

Mesmo depois de ter sido solto, Marcelo seguiu com depoimentos à força-tarefa na tentativa de “pegar” o cunhado, que por sua vez manteve o prestígio no grupo e tocou a negociação de venda da parte da Odebrecht na Braskem. Ferro já tinha prestado depoimento ao então juiz Sérgio Moro, no final de outubro de 2017, mas ainda não tinha sido preso.

Ele faz parte de uma longa lista de credores da Odebrecht, entre executivos e ex-executivos que atuaram como delatores no maior acordo de colaboração já feito dentro da Operação Lava-Jato. Juntos, eles têm a receber R$ 438 milhões em incentivos e remunerações que não foram pagas pela empresa, cujo pedido de recuperação foi formalmente aceito pela Justiça em junho deste ano com dívidas que somam R$ 98,5 bilhões. Monica também consta na lista de credores. Ela, que é advogada, tem a receber R$ 3,5 milhões. Já Ferro pede R$ 5 milhões à empresa.

Chaves

Durante a deflagração da Operação Carbonara Chimica, a Polícia Federal encontrou na residência do ex-vice-presidente Jurídico da Odebrecht Maurício Ferro quatro chaves de criptografia que podem dar acesso a pastas da Planilha do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht que até então estão inacessíveis para o Ministério Público. O Setor de Operações Estruturadas era o departamento de propinas da empreiteira.

“Nós tivemos acesso, até agora, a uma parte do sistema que não estava criptografada. Agora, podemos ter acesso a novos arquivos nos quais pode haver detalhamento de pagamentos mais recentes que podem levar a novas investigações e ações penais”, disse o delegado Luciano Flores de Lima, superintendente regional da Polícia Federal no Paraná.

Ao todo, 77 executivos da empreiteira decidiram colaborar com a Justiça e revelaram uma rotina de pagamentos de propinas a políticos e agentes públicos. Segundo Flores, as chaves apreendidas na casa de Ferro já eram objeto de buscas em operações anteriores. Informações obtidas em colaborações apontavam que o ex-jurídico da Odebrecht poderia estar de posse delas. “Esses dados serão analisados e entregues para o Ministério Público, inclusive para a verificação do crime de obstrução de Justiça”, disse o delegado.

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