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O cantor Gilberto Gil depõe ao juiz Sérgio Moro e diz que não viu Lula pedir nem receber vantagens indevidas

Gilberto Gil prestou depoimento na quinta-feira (9), como testemunha de defesa de Lula. (Foto: Reprodução)

O cantor Gilberto Gil, que foi ministro da Cultura do ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT), disse em depoimento à Justiça que não viu o petista pedir ou receber vantagem indevida em troca de atos praticados no exercício do cargo. Gilberto Gil prestou depoimento ao juiz federal Sérgio Moro – responsável pelos processos da Operação Lava-Jato na primeira instância – na quinta-feira (9), por videoconferência, como testemunha de defesa do ex-presidente. A audiência era da ação que envolve o sítio de Atiba (SP), em que Lula é réu.

O ex-presidente responde por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Lula nega as acusações. Gilberto Gil relatou que foi ministro da Cultura por quase seis anos. Ele ocupou o cargo entre janeiro de 2003 e julho de 2008. O cantor contou que tinha contato com Lula e que participava de reuniões, audiências e despachos. Segundo ele, quase todos os ministros eram chamados para participar das reuniões.

Questionado por Moro, Gilberto Gil disse ter sido ministro quando José Dirceu – já condenado pela Lava-Jato – era ministro e que não teve conhecimento do envolvimento de José Dirceu em nenhum esquema de corrupção. Gilberto Gil ainda afirmou conhecer o ex-ministro Antonio Palocci, condenado pela Lava-Jato, e negou saber de esquemas de corrupção de Palocci. O cantor também negou saber se o marqueteiro João Santana, outro condenado na Lava-Jato, era envolvido com corrupção.

A denúncia do sítio

Segundo o MPF (Ministério Público Federal), Lula recebeu propina proveniente de seis contratos firmados entre a Petrobras e a Odebrecht e a OAS. Os valores foram repassados ao ex-presidente em reformas realizadas no sítio, dizem os procuradores. Conforme a denúncia, as melhorias no imóvel totalizaram R$ 1,02 milhão.

Apesar de o imóvel estar em nome dos empresários Fernando Bittar e Jonas Suassuna, sócios de Fábio Luis Lula da Silva, filho do ex-presidente, os investigadores da força-tarefa encontraram uma série de elementos que, segundo a denúncia, comprovariam que o sítio pertence, na verdade, ao ex-presidente. Entre eles, estão bens pessoais, roupas e indícios de visitas frequentes ao imóvel. A denúncia afirma que entre 2011 e 2016, Lula esteve no local cerca de 270 vezes.

Desbloqueio de bens

O ministro Felix Fischer, do STJ (Superior Tribunal de Justiça), rejeitou um recurso da defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) contra o bloqueio de seus bens em função de sua condenação no processo do triplex.

A defesa buscava combater a decisão do TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região), que negou seguimento da ação por entender que o recurso da defesa não cabia no caso. O tribunal da segunda instância nem chegou a entrar no mérito da questão. A decisão de Fischer é de 6 de agosto e foi disponibilizada no sistema do STJ nesta sexta-feira (10).

Entre os argumentos da defesa está o de que os bens bloqueados foram adquiridos antes dos fatos relatados no processo. Moro, na ocasião, disse que não havia “relevância se os bens [sequestrados] foram ou não adquiridos com recursos lícitos”.

 

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