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Há quase dois meses detido em Tóquio, ex-presidente da Nissan, o brasileiro Carlos Ghosn tem febre na prisão

Carlos Ghosn segue preso no Japão. (Foto: Reprodução)

Perto de completar dois meses de prisão, na capital japonesa, o ex-presidente do Conselho de Administração da Nissan, Carlos Ghosn, está com febre, o que levou as autoridades japonesas a interromperem seu interrogatório. De acordo com o advogado Motonari Otsuru, um médico presta atendimento a Ghosn, de 64 anos, que “está cansado da longa detenção e dos interrogatórios”. O empresário brasileiro se encontra trancado em uma pequena cela desde a sua prisão, em 19 de novembro passado.

Enquanto Ghosn enfrenta uma possível extensão de sua estada, a Nissan e a parceira francesa Renault, que ainda é dirigida pelo executivo, estão realizando reuniões de diretoria nesta quinta-feira, segundo fontes a par do assunto que não quiseram ser identificadas porque a informação não é pública.

Na última terça-feira, Ghosn compareceu à corte distrital de Tóquio para se defender. Ele usava um terno escuro e chinelos de plástico, e foi conduzido, algemado e com uma corda ao redor da cintura, por dois guardas. Em nada parecia o homem que salvou a Nissan da falência e causou inveja de executivos do setor de automóveis em todo o mundo: Ghosn está nitidamente mais magro e seu cabelo estava grisalho nas raízes.

Na quarta-feira, Ghosn perdeu um recurso contra sua prisão em curso, diminuindo as perspectivas de uma libertação antecipada sob fiança. Seu atual período de detenção está marcado para terminar nesta sexta-feira, embora os promotores tenham o direito de apelar a um tribunal para que sua prisão seja prolongada.

Enquanto isso, a comissão de valores mobiliários do Japão pediu que promotores indiciem a empresa, Ghosn e Kelly, com custos adicionais.

O empresário brasileiro foi acusado de sonegar 5 bilhões de ienes (US$ 44 milhões) em rendas entre 2010 e 2015. Ghosn também é suspeito de sonegação seus rendimentos entre 2015 e 2018, de abuso de confiança, e de desviar US$ 14,7 milhões de uma conta da Nissan para o empresário saudita Khaled Al-Juffali em troca de arranjar uma carta de crédito para compensar suas perdas de investimento.

Filho de Ghosn diz que investigadores japoneses querem que o pai assine confissão

Carlos Ghosn poderia ser libertado com a “única condição” de assinar a confissão escrita em japonês, idioma que ele não domina, declarou recentemente Anthony Ghosn, filho do executivo, em entrevista ao jornal francês Du Dimanche.

“O paradoxo desta situação é que a confissão que eles pedem para meu pai assinar é escrita apenas em japonês, só que ele não fala esse idioma”, disse seu filho.

Anthony, de 24 anos, disse que não tem contato direto com seu pai. Todas as notícias a seu respeito são passadas para o jovem por meio dos advogados de Ghosn.

“Não tenho notícias diretas sobre ele, tudo que sei é por meio de seus advogados japoneses. Sei que ele está em boa forma, disposto a se defender energicamente, e que ele está muito focado em responder às acusações contra ele”, disse Anthony, em sua primeira entrevista após a prisão de Ghosn, antes da audiência desta semana.

Filhas de Ghosn acreditam que revolta de executivos da Nissan está por trás da prisão

As filhas de Carlos Ghosn, segundo declarações dadas no final de dezembro, acreditam que acusações de má conduta financeira contra ele são parte de uma revolta dentro da empresa contra a possibilidade de uma fusão com a Renault.

Caroline Ghosn, a mais velha dos quatro filhos de Ghosn, disse que quando viu Hiroto Saikawa, presidente-executivo da Nissan, condenar seu pai durante uma entrevista coletiva, ela suspeitou que a investigação da Nissan tinha como base a oposição às mudanças propostas por Ghosn sobre a aliança com a montadora francesa.

“O que fez Saikawa denunciar com veemência alguém que tenha sido seu mentor e, sem qualquer benefício da dúvida, condená-lo?”, questionou Caroline, de 31 anos, em uma conversa por telefone.

Ela e sua irmã Maya Ghosn, de 26 anos, não têm conhecimento direto das discussões de negócios do pai, mas ambas disseram que assistir as falas de Saikawa à mídia nacional consolidou a crença de que a dinâmica interna da empresa estava em jogo.

O presidente-executivo da Nissan disse aos repórteres que um problema com a aliança era que “o comando da Renault está concorrendo simultaneamente como o comando da Nissan, com 43% das ações”. No futuro, disse ele, “a empresa procuraria uma estrutura mais sustentável”.

“Ele nem pestanejou, nem sequer tentou encobrir o fato de que a fusão tinha algo a ver com isso”, disse Caroline.

Maya, que trabalha com filantropia, concordou.

“Como Saikawa estava falando sobre a aliança, ficou claro para mim que havia muito mais associado a ela”, disse. “Minha reação instintiva foi que isso foi maior do que as acusações contra o meu pai.”

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