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Imagine alguém sempre decidindo o seu almoço de segunda-feira

Recentemente aprovada pelos deputados estaduais de São Paulo, o projeto de lei do deputado Feliciano Filho, do PEN, chamado de “Segunda Sem Carne”, está dependendo apenas da aprovação do governador Geraldo Alckmin para entrar em vigor. Caso seja sancionado, órgãos e escolas públicas do estado de São Paulo estariam impedidos de servir e fornecer carnes ou derivados às segundas-feiras. Para o deputado Feliciano Filho, tal medida supostamente contribuiria para uma melhora na educação alimentar da população, visto que proporcionaria, segundo suas próprias palavras, “um dia por semana para as crianças refletirem sobre a aflição dos animais nos abatedouros”. Além disso, o deputado acredita que, ao obrigar um cardápio sem carne toda segunda-feira, irá “propiciar conhecimento em relação a cardápios diferenciados” para as crianças.

Ao propor uma lei como essa, o deputado não está provocando uma discussão sobre certos alimentos e seus benefícios; está, sim, infringindo diretamente a liberdade individual dessas crianças e desses profissionais. Evidentemente que não é proibindo-os de comer carne que irá conscientizá-los sobre algum possível benefício de abolirem o alimento de suas vidas. Sem contar que, ao abrir um espaço como esse, projetos de lei que limitem a liberdade individual serão cada vez mais frequentes, o que é extremamente preocupante para o futuro do Brasil. É necessário entender que não é papel do Estado determinar, ou influenciar, qualquer escolha do indivíduo, muito menos sua preferência em relação a alimentos.

Não bastando o possível caos que uma lei dessas poderia causar em termos culturais e de comportamento na sociedade, a economia sofreria na mesma intensidade. Segundo a Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), a carne bovina é um dos principais produtos produzidos da economia do país, tendo movimentado em 2017 mais de 5,5 bilhões de dólares. Ao sancionar algo que limite o consumo de carne, inicialmente em escolas e órgãos públicos de SP, estaríamos comprometendo uma parcela considerável dessa movimentação.

Em suma, ao seguir com esse projeto, o Estado estaria caracterizando essas crianças e profissionais como indivíduos iguais. Não podemos aceitar que leis como essa categorizem todos os envolvidos como “clones”. O Estado está interferindo demasiadamente na nossa liberdade individual e econômica. Os políticos precisam entender que não somos todos iguais. É necessário que aceitemos as diferenças, preferências, desejos e intenções de cada um. É um absurdo o Estado buscar determinar e influenciar gostos pessoais, seja de qual natureza for! Ao contrário do que muitos políticos acreditam, devemos ir em busca de dar o direito às pessoas de serem desiguais e promover a liberdade de escolha. Não fazendo isso, nos tornamos apenas um número de RG, sem opinião ou liberdade para fazermos o que queremos, e estaremos decretando a falência econômica do país lentamente.

Rodrigo Leke Paim

publicitário e associado do IEE.

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