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Incertezas sobre o petróleo podem afetar as ações da Petrobras no ano que vem

Papéis da estatal já acumulam perdas de quase 12% em novembro. (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

A recente queda do preço do petróleo já preocupa analistas no que diz respeito ao desempenho da Petrobras. O reflexo nas ações já pode ser visto em novembro, quando os papéis da petroleira acumulam perdas de quase 12%.

Ricardo Peretti, estrategista de pessoa física da Santander Corretora, admite que essa rápida piora para o petróleo não estava prevista. “Por ora, consideramos em nosso cenário base um valor de US$ 78/barril para 2019, enquanto adotamos uma cotação média de US$ 65/barril a partir de 2020.

Se os preços do petróleo continuarem em trajetória negativa por mais tempo, eventualmente perdendo a barreira dos US$ 60/barril, teremos que rever nossas estimativas mais promissoras para a estatal (atualmente com um preço-alvo de R$ 41,00)”, diz Peretti. Na sexta-feira, as cotações chegaram aos seus piores níveis desde outubro de 2017, com o barril tipo Brent, negociado em Londres, fechando abaixo de US$ 60.

Para o analista Vitor Suzaki, da Lerosa Investimentos, a queda da commodity ainda não foi totalmente incorporada nas ações da estatal brasileira por conta da visão “cautelosamente otimista” em relação à continuidade da política de desinvestimentos e diminuição da alavancagem, além da cessão onerosa.

Para a Petrobras, completa o analista da Lerosa, esse cenário de preços pressionados do petróleo em 2019 pode elevar a competição, beneficiando as importadoras. “Por outro lado, maior produção em virtude da entrada de novos plataformas assim como continuidade de gestão de custos tendem a atenuar este movimento”. Ele espera um preço médio em torno de US$ 65 o barril em 2019.

O também analista Luiz Francisco Caetano, da consultoria Planner, relembra que no início de outubro se discutia se o Brent poderia chegar aos US$ 100, e para ele, é natural que o valor da Petrobras seja afetado pela tendência da commodity. Por sua vez, Alexandre Faturi, da Nova Futura Investimentos, diversos fatores devem continuar pressionando os preços do petróleo em 2019, mas o impacto para a estatal será limitado.

A ação preferencial (PN) da petroleira está presente nas carteiras recomendadas de Bradesco BBI, Guide Investimentos e Santander. A Guide afirma que no curto prazo, o papel pode ser beneficiado pela venda de ativos, e também pela cessão onerosa.

Em relação às alterações nas carteiras semanais, a Guide retirou Marcopolo PN e inseriu Embraer ON. Segundo a corretora, a ação da fabricante de aeronaves está em patamar atrativo para investimento e a conclusão das negociações com a Boeing devem destravar valor. O time da Guide leva em conta ainda os dividendos que devem ser distribuídos após a conclusão da joint venture com a empresa norte-americana.

A Terra Investimentos retirou Vale ON e colocou Hypera ON na sua lista. Os analistas estão mais otimistas com o faturamento e as margens operacionais para o segundo semestre deste ano e também para 2019. “Destacamos que após o enxugamento da estrutura operacional, a Hypera está melhor preparada para aproveitar o potencial inerente ao mercado brasileiro de medicamentos genéricos”, diz a Terra.

Cautela

O Termômetro Broadcast Bolsa mostra aumento do pessimismo sobre o desempenho do Ibovespa na próxima semana (26 a 30 de novembro), embora a maioria dos participantes ainda espere ganho. O levantamento tem por objetivo captar o sentimento de operadores, analistas e gestores para o comportamento do índice na semana seguinte.

Dentre 28 respostas, 32,14% apontam queda para as ações no período, ante 14,81% na pesquisa anterior. Para 53,57% a percepção é de alta, ante 55,56% no último levantamento, enquanto 14,29% veem estabilidade para a Bolsa (29,63% na anterior). A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) teve perda semanal de 2,58%.

A última semana de novembro será de agenda relevante no Brasil e no exterior. Aqui, o destaque é a divulgação do PIB (Produto Interno Bruto) do terceiro trimestre, na próxima sexta-feira (30), quando a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) também deve anunciar a bandeira tarifária de energia que vai vigorar em dezembro. A expectativa dos agentes é pela adoção da bandeira verde, que não prevê cobrança de tarifa extraordinária, o que, se confirmado, poderá jogar ainda mais para baixo as estimativas de inflação.

Lá fora, no mesmo dia, começa a reunião do G20 em Buenos Aires com as atenções voltadas às negociações comerciais entre a China e os Estados Unidos. Ainda no exterior, na quinta-feira, será publicada a ata da reunião de política monetária do Federal Reserve (o banco central americano) realizada no começo de novembro.

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